Quando é a próxima reunião da Fed e o que esperar?

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Após três cortes quase consecutivos das taxas de juro no final do ano passado, a segunda reunião da Fed em 2026 ficou marcada por um tom mais cauteloso e por sinais claros de divisão interna. Num contexto de grande incerteza, agravado pelo conflito no Irão e pela forte subida do preço do petróleo, a Reserva Federal optou por manter as taxas entre 3,5% e 3,75%.

Jerome Powell admitiu que a visibilidade sobre a evolução da economia continua a ser muito limitada, numa altura em que a política monetária está cada vez mais dependente de fatores externos. Perante este cenário, os mercados já admitem uma pausa mais prolongada em novos cortes das taxas, que poderá estender-se, pelo menos, ao longo de todo o primeiro semestre de 2026.

Calendário das reuniões da FED para 2026

A Reserva Federal reúne-se oito vezes por ano, com um intervalo médio de cerca de 40 dias entre cada reunião. Vejamos, então, como fica o calendário de reuniões da Fed para 2026:

  • 27-28 de janeiro
  • 17-18 de março
  • 28-29 de abril
  • 16-17 de junho
  • 28-29 de julho
  • 15-16 de setembro
  • 27-28 de outubro
  • 8-9 de dezembro

Se estiveres interessado nas políticas dos bancos centrais, poderás também consultar o nosso calendário para descobrir a próxima reunião do BCE.

Última reunião da Fed: pausa nas taxas, mas máxima incerteza no horizonte

A Reserva Federal decidiu manter as taxas de juro inalteradas, numa decisão amplamente antecipada pelo mercado, mas que surge num contexto cada vez mais complexo.

A economia norte-americana continua a mostrar resiliência — com um crescimento previsto de 2,4% e uma taxa de desemprego em torno de 4,4% —, mas começam a surgir pressões mais difíceis de gerir. A uma inflação persistente, agravada pelo impacto das tarifas, junta-se agora um fator geopolítico imprevisível: o conflito com o Irão.

Histórico da inflação nos EUA | Fonte: Trading Economics

Histórico da inflação nos EUA | Fonte: Trading Economics

Longe de trazer maior clareza, a Fed reforçou a ideia de que está a operar num ambiente particularmente incerto. Jerome Powell repetiu várias vezes a mesma mensagem:

O problema não é tanto os dados atuais, mas sim a falta de visibilidade sobre o que vem a seguir. […] Não sabemos quais serão os efeitos — e, na verdade, ninguém sabe.

Por outras palavras, a Fed não sabe — nem pode saber — como evoluirá a economia no curto prazo. Um reconhecimento pouco habitual num banco central, que evidencia até que ponto a política monetária está dependente de fatores externos, sobretudo numa economia fortemente exposta ao preço da energia.

E a realidade é que as economias do século XXI — longe de serem mais resilientes — dificilmente conseguem sustentar, por períodos prolongados, preços do petróleo acima dos 90 dólares por barril.

Evolução recente do preço do petróleo (Brent)

Preço do barril de Brent — março de 2026 | Fonte: Trading Economics

Um dos elementos que melhor ilustra esta falta de visibilidade é o dot plot. Embora, em teoria, continue a apontar para um corte adicional este ano e outro no próximo, a dispersão das projeções entre os membros do FOMC é cada vez mais evidente.

Previsões de taxas de juro para 2026 e 2027

Previsões de taxas de juro | Fonte: FOMC

Como se pode observar, para 2027 as estimativas desenham um cenário quase desordenado: desde membros que antecipam subidas de taxas até outros que projetam vários cortes. Mais do que uma orientação clara, o gráfico começa a refletir a própria incerteza dentro do Comité.

Um cenário de estagflação?

Um dos temas mais repetidos durante a conferência de imprensa foi o receio de uma possível estagflação.

Ainda assim, Powell procurou afastar esse cenário de forma bastante clara:

Reservaria o termo estagflação para situações muito mais graves. Não é o caso atual.

Ao contrário do que aconteceu nos anos 70, o presidente da Fed sublinhou que o mercado de trabalho continua sólido, a produtividade se mantém e a economia, no geral, continua a crescer. Ainda assim, a tensão entre os dois objetivos do banco central — controlar a inflação e preservar o emprego — é cada vez mais visível, e geri-la está a tornar-se mais difícil.

No conjunto, a Fed deixou a imagem de uma situação desconfortável, como já não se via há várias reuniões, encurralada entre os dados económicos e a geopolítica. Por um lado, não tem urgência em agir. Por outro, qualquer novo dado ou acontecimento externo pode alterar por completo o cenário.

O que esperar da próxima reunião da FED?

As palavras de Powell deixaram a ideia de que a Fed não tem qualquer pressa em mexer nas taxas. Num contexto marcado pela incerteza em torno do impacto do conflito com o Irão, da evolução do preço do petróleo e dos efeitos ainda incompletos das tarifas, tudo aponta para que o banco central prefira continuar a esperar antes de tomar uma nova decisão.

Nesse sentido, o cenário mais provável é que as taxas de juro se mantenham no intervalo entre 3,5% e 3,75% pelo menos nas próximas reuniões, tal como já é refletido pelos futuros sobre taxas de juro, que apontam para uma probabilidade de 85% de manutenção na reunião de abril e superior a 80% na de junho.

Ou seja, o mercado já assume que a Fed deverá manter as taxas inalteradas, pelo menos, durante uma boa parte do primeiro semestre de 2026.

opinião dos investidores sobre os juros da FED para 2026

Que impacto têm no mercado as reuniões da FED?

A Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) é, portanto, uma instituição essencial para a saúde económica do país e exerce uma influência significativa nos mercados financeiros a nível global. As reuniões da FED, nas quais são definidas as políticas monetárias — especialmente no que diz respeito às taxas de juro — podem ter um impacto relevante nos mercados financeiros.

O que acontece quando há subida das taxas de juro?

Quando a FED decide aumentar as taxas de juro, ou implementar outras medidas destinadas a reduzir a liquidez no sistema, geralmente com o objetivo de controlar a inflação, isso traduz-se numa desaceleração da economia.

O aumento das taxas torna o crédito mais caro, desencorajando o recurso a empréstimos. Este efeito, por sua vez, reduz a procura agregada e o nível de consumo.

Relação entre as taxas de juro e o S&P 500

A redução da liquidez também afeta negativamente o mercado acionista. Menos liquidez significa menos recursos disponíveis para investimento. Assim, de forma geral, a subida das taxas de juro está associada a uma queda no valor das ações.

Contudo, em determinados contextos, o mercado pode já ter “descontado” esse aumento, sobretudo quando — como é habitual — a FED antecipou publicamente as suas intenções antes da decisão oficial. Nestes casos, o impacto nos mercados tende a ser mais moderado.

Em tempos de incerteza, como os que costumam seguir-se a aumentos das taxas, investir em ações defensivas pode ser uma estratégia sensata. Também os chamados ativos de refúgio, com baixa correlação com o ciclo económico — como o ouro —, podem constituir uma opção a considerar.

O que acontece quando há descida das taxas de juro?

Pelo contrário, quando a FED ou qualquer outro banco central opta por reduzir as taxas de juro, o objetivo é geralmente o oposto ao de uma subida de taxas. Entre os principais efeitos esperados de uma descida das taxas, destacam-se:

  • Estímulo à economia: A redução das taxas torna o crédito mais acessível, incentivando empresas e consumidores a contrair empréstimos para investir ou consumir.
  • Aumento do consumo: Com o crédito mais barato, os consumidores tendem a realizar compras de maior valor, como habitação ou automóveis, o que estimula a procura agregada.
  • Impacto positivo nos mercados acionistas: A descida das taxas tende a reduzir os custos de financiamento e a aumentar o consumo e o investimento, melhorando as perspetivas de lucros das empresas, o que normalmente se reflete na valorização das ações.
  • Desvalorização da moeda: Em certos contextos, uma taxa de juro mais baixa pode levar à desvalorização da moeda nacional, à medida que os investidores procuram retornos mais elevados noutros mercados e vendem a moeda local.
  • Risco de inflação: Embora o objetivo seja estimular a economia, um possível efeito colateral é a subida da inflação, especialmente se a oferta não acompanhar o aumento da procura.

As reuniões da FED: reuniões do FOMC

Quando falamos da Reserva Federal (FED), para compreendermos o que acontece nas suas reuniões, é importante conhecer quatro conceitos fundamentais:

  • FOMC: é o Comité Federal de Mercado Aberto da Reserva Federal. É composto por 12 membros e responsável pela definição da estratégia de política monetária, com vista ao cumprimento dos objetivos da instituição. Reúne-se 8 vezes por ano, aproximadamente de 6 em 6 semanas, em Washington. Geralmente, em metade dessas reuniões realiza-se uma conferência de imprensa posterior.
  • Atas da FED: são um resumo detalhado de todos os temas discutidos nas reuniões do FOMC. São publicadas 3 semanas após cada reunião e refletem as opiniões de todos os membros presentes.
  • Livro Bege: é um conjunto de dados que serve de base para as decisões do FOMC. É publicado cerca de 2 semanas antes de cada reunião.
  • Dot plot: é um gráfico composto por uma série de pontos que representa a visão individual de cada membro sobre a direção futura das taxas de juro — se vão subir ou descer e em que medida — tanto para os meses seguintes como para os próximos anos. Foi introduzido no final de 2011, durante a presidência de Ben Bernanke.

Em resumo, este é o calendário das próximas reuniões da FED, para que não percas nenhuma e possas reagir de forma informada às decisões da Reserva Federal, sejam elas de natureza expansionista ou restritiva.

FAQs sobre a FED

Quando é a próxima reunião da FED?

A próxima reunião da Reserva Federal (FED) está agendada para os dias 28 a 29 de abril de 2026.

Quando é que a FED vai baixar as taxas de juro?

Durante 2025, a Reserva Federal reduziu as taxas de juro por três vezes consecutivas na parte final do ano. Para já, perspetiva-se uma pausa no início de 2026, mas o próprio Jerome Powell não excluiu a possibilidade de duas descidas adicionais de 25 pontos base ao longo do ano.

Quando se pronuncia a FED sobre as taxas de juro?

A FED reúne-se para a determinação das políticas sobre as taxas de juro 8 vezes ao ano, em datas predeterminadas

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