ETPs: o que são e como investir
É provável que já tenha ouvido falar dos ETF, mas talvez o mesmo não aconteça com os ETP. Na verdade, os fundos cotados (ETF) são apenas uma das várias categorias de ETP — Produtos Negociados em Bolsa.
Neste artigo, explicamos o que são os ETP, quais os principais tipos existentes, as suas características, vantagens e riscos. Também abordamos de que forma estes produtos funcionam nos mercados financeiros e como podem ser acedidos por investidores.
Este artigo não deve ser considerado aconselhamento de investimento. É meramente informativo e educacional.
O que é um ETP?
ETP é a sigla de Exchange-Traded Product, ou Produto Negociado em Bolsa.
É natural que essa definição, por si só, não diga muito. Na prática, um ETP é um veículo de investimento que procura replicar o comportamento de um conjunto de ativos financeiros, como índices, matérias-primas ou moedas.
Outra das características dos ETP é que são cotados em bolsa, como o próprio nome indica. Isso permite que possam ser comprados e vendidos a qualquer momento, tal como uma ação — mas com a vantagem de oferecerem maior diversificação, uma vez que investem numa “cesta” de vários ativos, de forma semelhante a um fundo de investimento.
Como funcionam os ETPs?
Embora existam diferentes tipos de ETP, todos partilham um conjunto de características comuns. O que varia é a estrutura de cada produto.
Em todos os casos, os ETP têm como objetivo seguir um índice ou ativo subjacente. Por exemplo, em vez de comprar individualmente todas as ações do índice Ibex 35, um ETP permite investir nesse índice através de um único produto, obtendo um desempenho equivalente ao do índice completo.
Principais características dos ETPs:
- Cotação contínua: salvo exceções, um ETP funciona e é negociado como uma ação, podendo ser comprado ou vendido a qualquer momento durante o horário de mercado;
- Negociação em mercados regulados;
- Replicação de um ativo subjacente — no caso dos ETFs e dos ETC, essa replicação pode ser feita de forma física (com posse direta dos ativos) ou sintética (através de derivados).
Tipos de ETP existentes
O primeiro ETP foi negociado nos Estados Unidos em 1989 e, desde então, o número de produtos deste tipo tem vindo a crescer, graças à sua versatilidade, custos reduzidos e facilidade de transação.
Atualmente, existem três tipos principais de ETP — alguns mais conhecidos do que outros: ETF, ETC e ETN. A principal diferença entre eles está no tipo de ativo que procuram replicar.
Segue-se uma explicação sobre cada uma destas categorias de ETP.
ETFs
Os ETFs são, sem dúvida, o tipo de ETP mais conhecido e também o mais comum. Os ETF, ou Exchange-Traded Funds, são fundos cotados em bolsa. Ou seja, utilizam a estrutura de um fundo de investimento para replicar índices bolsistas como o S&P 500 ou o Ibex 35, bem como setores específicos (energia, tecnologia, transportes…) ou determinadas regiões geográficas.
A principal diferença entre um ETF e um fundo indexado (que também procura replicar um índice) está no seu funcionamento. Um ETF é um fundo, mas é negociado como uma ação. Isto significa que pode ser comprado ou vendido a qualquer momento durante o horário de mercado, ao contrário dos fundos de investimento tradicionais, que apenas permitem subscrições ou resgates no final do dia.
Em Portugal, esta diferença também se aplica à fiscalidade: os ETF seguem o regime fiscal das ações, e não o dos fundos de investimento. A isto juntam-se comissões mais reduzidas. Como se trata de um produto cotado, o seu preço é determinado pela oferta e procura no mercado, o que elimina a necessidade de uma gestão ativa por parte de um intermediário — razão pela qual as comissões são geralmente inferiores às dos fundos de investimento.
Os ETF tornaram-se num dos produtos mais procurados devido à sua simplicidade e rapidez de negociação, baixos montantes mínimos de investimento e, sobretudo, comissões reduzidas. De facto, são hoje o principal veículo de gestão passiva a nível global.
Leia ainda ➡️Melhores ETFs para investir
ETCs
Os ETC, ou Exchange-Traded Commodities, são ETPs que replicam o comportamento de matérias-primas — e, por vezes, também de divisas.
Este tipo de ETP permite investir em matérias-primas individuais, como o ouro, ou numa cesta diversificada com vários ativos. Existem igualmente ETC baseados em índices de matérias-primas ou índices cambiais.
A diferença entre um ETC e um ETF sobre matérias-primas, por exemplo, é que um ETF detém fisicamente os ativos subjacentes que acompanha, enquanto um ETC não.
Um ETC é, na verdade, um pagaré ou instrumento de dívida — e não um fundo, como os ETF. Quando se investe num ETC, está-se a adquirir participações emitidas por uma entidade, cujo valor está referenciado ao preço de uma determinada matéria-prima.
É por isso que existem tanto ETC como ETF sobre matérias-primas. O mais comum é que os ETCs se foquem numa única matéria-prima, enquanto os ETF tendem a seguir índices que agrupam várias (embora nem sempre seja o caso).
ETNs
Os ETN, ou Exchange-Traded Notes, são pagarés negociados em bolsa emitidos por instituições financeiras e que, normalmente, dependem do risco de crédito do emissor. A sua estrutura é semelhante à dos ETC, pois são igualmente instrumentos de dívida.
Um ETN não detém diretamente os ativos que replica, funcionando mais como uma obrigação que segue o desempenho de um índice específico.
Sendo um instrumento de dívida, representa a promessa do emissor de devolver o capital investido, mas não constitui uma garantia. O que distingue os ETN de outros instrumentos de rendimento fixo é o facto de não pagarem cupões nem terem data de vencimento.
Os três tipos de ETP — ETF, ETC e ETN — partilham algumas características, mas são estruturalmente diferentes e, sobretudo, implicam riscos distintos. Por isso, é fundamental compreender bem as diferenças entre cada um antes de considerar qualquer exposição a estes instrumentos.
Como investir em ETP?
Os ETP podem ser utilizados para obter exposição aos ativos que pretender, quer como complemento a fundos de investimento, quer como alternativa a fundos de gestão ativa que não estejam a proporcionar valor acrescentado.
Também são frequentemente utilizados para aceder de forma rápida a determinados mercados ou sectores específicos.
Por exemplo, se o objetivo for investir em ouro no âmbito da sua carteira, existem várias formas de o fazer — sendo uma das mais simples através de um ETP que replique essa matéria-prima. Neste caso, pode optar por um ETF, como o SPDR Gold Shares ETF, ou por um ETC, como o Invesco Physical Gold.
A diferença reside na estrutura: ao investir num ETF, detém uma participação num fundo apoiado em contratos de futuros ou em ouro físico. No caso do ETC, está a adquirir um título de dívida garantido pelo emissor, que mantém ouro em reserva como colateral.
Quando se trata de exposição a ações ou a índices bolsistas, a oferta de ETF é vasta. Por exemplo, é possível obter exposição global através de um ETF que replique o MSCI World Index, ou investir num setor específico, como a tecnologia, com produtos como o iShares S&P 500 Information Technology Sector ETF.
Existem também ETF que seguem temas muito mais específicos, como o VanEck Vectors Gaming ETF (BJK), focado na indústria do jogo, ou o Global X S&P 500 Catholic Values ETF, que investe em empresas alinhadas com determinados valores éticos.
Um exemplo relevante no mercado europeu é o portefólio da Leverage Shares, uma entidade que disponibiliza mais de 140 ETPs que permitem obter exposição alavancada ou inversa a ações amplamente conhecidas como Tesla, Nvidia ou Coinbase, bem como a índices como o Nasdaq 100.
Por exemplo, o Leverage Shares 3x Tesla procura replicar o desempenho da ação multiplicado por três — tanto em subidas como em quedas. A gestora oferece ainda a linha IncomeShares, que distribui rendimentos mensais através de estratégias com opções, como covered calls ou cash-secured puts.

Graças à sua liquidez, transparência e, em alguns casos, ao suporte físico dos ativos subjacentes, os ETP da Leverage Shares têm-se afirmado como uma forma regulada e acessível de acompanhar estratégias mais sofisticadas, anteriormente reservadas a investidores institucionais.
Por que investir em ETP?
O crescimento dos ETP nos últimos anos não é por acaso. Grande parte do seu êxito deve-se aos ETF e ao aumento geral da gestão passiva e da indexação.
A partir daí, os ETP têm as suas próprias características, vantagens e desvantagens que deves considerar para saber se os queres incluir na tua carteira de investimentos.
Vantagens e desvantagens dos ETPs
Vantagens
- ✅ Agilidade e liquidez: podem ser comprados e vendidos a qualquer momento, como uma ação.
- ✅ Diversificação e acesso global: permitem investir em índices, setores ou mercados difíceis de acessar.
- ✅ Custos reduzidos: comissões mais baixas em comparação com fundos tradicionais.
- ✅ Simplicidade e transparência: fáceis de entender e negociar.
- ✅ Regulação: são produtos supervisionados em mercados oficiais.
Desvantagens
- ❌ Risco de rentabilidade futura: bons resultados passados não garantem rendimentos futuros.
- ❌ Risco de moeda: se cotados em uma moeda diferente, a flutuação cambial pode afetar o valor do investimento.
Os ETP são uma boa estratégia de investimento?
Os ETP alavancados podem ser uma ferramenta útil, mas não constituem uma estratégia recomendada para todos os perfis de investidores. O seu design torna-os atrativos para aqueles que procuram operações tácticas de curto prazo, uma vez que permitem amplificar movimentos do mercado num único dia e são cotados como ações convencionais.
No entanto, a mesma alavancagem que potencia os ganhos também multiplica as perdas, e o efeito da composição diária pode distorcer os resultados se mantidos durante vários dias ou semanas. Por isso, não são produtos adequados para investimentos a longo prazo ou para quem procura estabilidade, sendo mais indicados para investidores experientes, com tolerância ao risco e monitorização constante do mercado.
Artigos Relacionados