Melhores ETFs e ETCs de Ouro em 2026
O ouro voltou a fazer aquilo que melhor sabe fazer: destacar-se quando quase tudo o resto gera dúvidas. Após dois anos consecutivos de fortes subidas e num contexto marcado por tensões geopolíticas, inflação persistente e políticas monetárias cada vez mais difíceis de antecipar, o metal precioso recuperou protagonismo nas carteiras de muitos investidores.
Enquanto uma parte significativa dos índices de rendimento variável apresentou um comportamento mais errático, o ouro voltou a atuar como ativo de refúgio, atraindo tanto investidores mais conservadores como perfis mais táticos. Não é por acaso: historicamente, o ouro tende a valorizar-se em períodos de maior incerteza económica e quando a confiança nas moedas tradicionais enfraquece.
Importa, contudo, referir que investir em ouro não implica necessariamente adquirir lingotes e guardá-los num cofre. Nos últimos anos, os ETFs e ETCs de ouro consolidaram-se como uma das formas mais simples, líquidas e eficientes de obter exposição ao preço do metal, sem os custos logísticos e operacionais associados ao ouro físico.
Neste artigo, analisamos como investir em ouro através de ETFs em 2026, que tipos de produtos existem e quais os ETFs de ouro que se destacam em função da sua estrutura, custos e comportamento histórico, permitindo-lhe avaliar se — e de que forma — o ouro poderá enquadrar-se no seu portefólio de investimento.
O presente artigo tem um carácter meramente informacional e não constitui um aconselhamento financeiro de investimento. Antes de tomares uma decisão deves realizar a tua própria análise e avaliar os riscos envolvidos.
O que é um ETF (ou ETC) de ouro?
Um ETF de ouro é um fundo negociado em bolsa que procura acompanhar a evolução do preço do ouro, permitindo obter exposição ao metal sem necessidade de adquirir ou armazenar ouro físico.
Tal como uma ação, é transacionado em bolsa ao longo do dia e pode ser comprado ou vendido através de uma corretora.
No contexto europeu, muitos dos produtos que replicam diretamente o preço do ouro físico não são, do ponto de vista jurídico, ETFs UCITS, mas sim ETCs (Exchange Traded Commodities). Isto deve-se ao facto de a diretiva UCITS não permitir que um fundo invista exclusivamente numa única matéria-prima, como o ouro físico.
Apesar dessa diferença estrutural, para o investidor o funcionamento é muito semelhante: ambos são negociados em mercado regulamentado, apresentam um custo anual (TER) e têm como objetivo refletir de forma próxima o preço do ouro.
Como funcionam os ETFs e ETCs de ouro?
Existem, de forma simplificada, duas estruturas principais.
Nos produtos com ouro físico em custódia, o emissor mantém lingotes armazenados em cofres de entidades independentes. Cada unidade representa uma fração do metal detido, e o valor do produto acompanha o preço de mercado do ouro. Neste modelo, o risco de contraparte tende a ser mais reduzido, uma vez que o produto está colateralizado em ativo físico.
Por outro lado, existem produtos com réplica sintética, que não detêm ouro físico. A exposição é obtida através de instrumentos derivados, como contratos de futuros ou acordos financeiros com contrapartes. Esta estrutura pode implicar riscos adicionais, nomeadamente risco de contraparte e custos associados à renovação periódica dos contratos.
Melhores ETFs/ETCs de ouro
Se está a considerar investir em ouro em 2026, estes são cinco ETFs que se destacam pela combinação de rendibilidade a 3 anos, volatilidade reduzida e comissões competitivas:
| ETF | Ticker | TER | Tipo |
| iShares Physical Gold ETC | PPFB | 0,12% | Ouro físico |
| VanEck Gold Miners UCITS ETF | G2X | 0,53% | Ações de empresas mineiras de ouro |
| WisdomTree Physical Swiss Gold | GZUR | 0,15% | Ouro físico (custódia na Suíça) |
| Invesco Physical Gold A | 8PSG | 0,12% | Ouro físico |
| HANetf The Royal Mint Responsibly Sourced Physical Gold ETC | RM8U | 0,22% | Ouro físico resgatável |
Análise detalhada dos ETFs/ETCs de Ouro
Em 2026, os ETFs e ETCs de ouro continuam a ser instrumentos utilizados por investidores que procuram diversificar o portefólio e obter exposição a um ativo tradicionalmente associado a períodos de maior incerteza económica.
O iShares Physical Gold ETC (ticker mais habitual: PPFB) é um produto que procura replicar o preço “spot” do ouro através de colateralização em ouro físico. Em vez de investir em empresas mineiras ou recorrer a derivados, a exposição é feita ao próprio metal, armazenado em cofres segregados e em conformidade com os padrões internacionais de mercado.
Principais características:
- Nome do produto: iShares Physical Gold ETC
- TER: 0,12% ao ano
- Distribuição: não distribui dividendos (acumulação)
Com um custo anual de 0,12%, posiciona-se entre os produtos com comissões mais reduzidas dentro dos ETCs de ouro físico disponíveis no mercado europeu. Sendo colateralizado em metal físico e não recorrendo a empréstimo de ativos, a diferença face ao preço do ouro tende a refletir sobretudo o impacto da comissão anual e das condições de mercado.

Fonte: justetf
Como qualquer instrumento associado ao ouro, pode apresentar períodos de valorização e de correção, acompanhando a volatilidade típica do metal. Este tipo de produto é geralmente utilizado por investidores que pretendem obter exposição direta ao preço do ouro, tendo em consideração fatores como custos, liquidez e estrutura do instrumento.
VanEck Gold Miners UCITS ETF
Se for descoberta uma nova mina na sua cidade, o que faria: começaria a procurar ouro ou preferiria investir em picos e pás? Com essa lógica de investir nas ferramentas para que outros façam o trabalho, apresentamos o VanEck Gold Miners UCITS ETF (G2X). Este fundo oferece exposição direta às principais produtoras mundiais de ouro e prata, replicando o NYSE Arca Gold Miners Index através de réplica física completa e com reinvestimento de dividendos.
Principais características:
- Nome do fundo: VanEck Gold Miners UCITS ETF
- TER: 0,53%
- Distribuição: não distribui dividendos (acumulação)
As 10 maiores posições representam 64% do fundo, com destaque para alguns dos produtores mais conhecidos a nível mundial, como Agnico Eagle (11,7%), Newmont (11,6%), Wheaton Precious Metals (7,5%) e Barrick Gold (7,2%). Em termos geográficos, o Canadá concentra a maior parte da carteira (52%), seguido dos Estados Unidos (16%) e da Austrália (11%).
Ao nível dos custos, não é o ETF mais económico, uma vez que apresenta um TER de 0,53%, situando-se na faixa intermédia deste segmento: mais elevado do que os produtos de ouro físico (cerca de 0,12%), mas alinhado com outros ETFs setoriais especializados.

Fonte: Investing
No que respeita à rendibilidade, tende a verificar-se um padrão frequente nos ciclos das matérias-primas: primeiro ocorre a valorização da própria matéria-prima e, posteriormente, das empresas que a exploram.
Com tudo isto, trata-se de um ETF com potencial adicional de evolução, uma vez que, enquanto o comportamento do preço do ouro no longo prazo é incerto, as empresas mineiras ainda poderão refletir nas suas demonstrações financeiras o impacto de receitas associadas a um metal valorizado, à medida que esses resultados sejam incorporados nos balanços e nas contas de resultados.
WisdomTree Physical Swiss Gold
O WisdomTree Physical Swiss Gold é um ETC que replica o desempenho do índice subjacente através de uma obrigação colateralizada com reservas físicas de ouro. Não oferece cobertura cambial e está domiciliado na ilha de Jersey.
Principais características:
- Nome do fundo: WisdomTree Physical Swiss Gold
- TER: 0,15%
- Distribuição: não distribui dividendos (acumulação)

Fonte: justetf
O WisdomTree Physical Swiss Gold é uma opção orientada para investidores que valorizam a custódia do ouro na Suíça, o que implica uma comissão ligeiramente superior face a outras alternativas, embora continue a apresentar custos competitivos. Tal como outros produtos semelhantes, trata-se de uma obrigação colateralizada respaldada por ouro físico.
Invesco Physical Gold A
O Invesco Physical Gold A é um ETC que replica o desempenho do índice subjacente através de uma obrigação colateralizada, respaldada por reservas físicas de ouro. Está domiciliado na Irlanda, e o metal precioso encontra-se armazenado em câmaras de segurança aprovadas pela London Bullion Market Association (LBMA).
Principais características:
- Nome do fundo: Invesco Physical Gold A
- TER: 0,12%
- Distribuição: não distribui dividendos (acumulação)

Fonte: justetf
O Invesco Physical Gold A é o produto com maior historial entre os disponíveis na Europa e ocupa a segunda posição em termos de ativos sob gestão (AUM). Trata-se igualmente de uma obrigação colateralizada garantida por ouro físico.
HANetf The Royal Mint Responsibly Sourced Physical Gold ETC
Este ETC replica o preço spot do ouro em USD através de uma obrigação colateralizada com reservas físicas do metal precioso. Está domiciliado na Irlanda e não possui cobertura cambial.
Principais características:
- Nome do fundo: HANetf The Royal Mint Responsibly Sourced Physical Gold ETC
- Ticker: RM8U
O HANetf The Royal Mint Responsibly Sourced Physical Gold é o primeiro produto financeiro patrocinado pela The Royal Mint. Tal como os restantes, trata-se de dívida colateralizada garantida por ouro físico, mas apresenta uma particularidade que os demais ETCs com estrutura legal semelhante não têm: os investidores podem solicitar o resgate das suas participações em lingotes ou moedas físicas armazenadas na câmara de segurança da The Royal Mint, em Llantrisant, País de Gales, desde que cumpram determinados requisitos.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, todos os lingotes com origem russa foram excluídos da carteira deste fundo. No entanto, apresenta o TER mais elevado entre os produtos desta categoria.
Como comprar um ETF de ouro na prática
Apesar de a oferta de ETFs de ouro na Lightyear ainda ser algo limitada — atualmente só estão disponíveis 2 ou 3 opções, como o iShares Gold Producers ($IAUP) — a plataforma tem vindo a expandir o seu catálogo gradualmente. Para quem procura exposição ao setor mineiro do ouro de forma prática e direta, esta já é uma alternativa viável.
Nota: As capturas de ecrã utilizadas nesta explicação foram feitas diretamente na minha conta pessoal na Lightyear. O objetivo é apenas ilustrar, de forma real e prática, como funciona o processo — não se trata de qualquer sugestão ou recomendação de investimento.
A seguir explicamos como comprar este ETF, passo a passo:
Passo 1: Procurar o ETF
Na app da Lightyear, vai ao campo de pesquisa (ícone da lupa) e escreve:
- ishares gold producers
Entre os resultados, vais encontrar:
- iShares Gold Producers ($IAUP) — este é o ETF que replica empresas produtoras de ouro. Clica para abrir.


Passo 2: Consultar as informações do fundo
Antes de investires, é essencial consultar as informações principais do ETF — e a Lightyear apresenta esses dados de forma simples e acessível.
Entre as informações disponíveis, vais encontrar:
- Ticker: $IAUP
- Comissão (TER): 0,55%
- Rentabilidade a 5 anos: +8,98%
- Tamanho do fundo: 2,7 mil milhões USD
- Gestora: BlackRock
- Índice seguido: S&P Commodity Producers Gold
- Distribuição: acumulativa (reinveste dividendos)
Para além destes dados quantitativos, também podes consultar:
- A descrição do objetivo do fundo, que explica a estratégia de investimento e o tipo de ativos incluídos.
- A composição da carteira, com destaque para as maiores participações, como Newmont, Agnico Eagle, Wheaton Precious Metals, Barrick Gold, entre outras.
- O nível de risco, o ISIN, a moeda base e os documentos legais (como o KID e o ficheiro de custos).
- O gráfico de evolução histórica do preço do ETF — útil para avaliar o desempenho em diferentes horizontes temporais (1 mês, 1 ano, 5 anos, etc.).


Passo 3: Verificar saldo e definir a ordem de compra
Certifica-te de que tens saldo suficiente em USD (ou em euros, que depois serão convertidos).
No momento da captura, o preço por unidade era $24,55.
Na Lightyear, apenas são permitidas ordens limitadas para este ETF. Deves indicar:
- Preço limite (exemplo: $24.55)
- Número de ações que pretendes comprar
Clica em “Pré-visualizar compra limitada” para continuar.

Passo 4: Confirmar e seguir o ETF
Depois de confirmada a ordem, o ETF será adicionado à tua carteira. Podes também ativar alertas ou seguir o ativo para acompanhar a sua evolução.
- A Lightyear não cobra comissões de execução nem de custódia.
- Contudo, é aplicada uma taxa de câmbio de 0,35% sempre que compras ETFs denominados numa moeda diferente da tua conta (por exemplo, ETFs em USD numa conta em EUR).
- A oferta de ETFs disponíveis varia consoante a moeda base e o mercado selecionado (EUR, GBP ou USD).
- Permite criar “Planos” de investimento: uma espécie de mini-carteira onde podes juntar várias ações e ETFs, definir os pesos de cada um e, se quiseres, ativar um auto-investimento recorrente.
Este conteúdo tem um carácter meramente informativo e educativo. Não constitui qualquer tipo de recomendação de investimento. Antes de investires, deves fazer a tua própria análise e considerar o teu perfil de risco e os teus objetivos financeiros.
Que tipos de ETFs de ouro existem?
Existem vários tipos de ETFs de ouro, cada um com características distintas, oferecendo diferentes formas de exposição a este metal precioso. Abaixo apresentamos os principais:
- ETFs de ouro físico: Estes fundos cotados investem diretamente em ouro físico armazenado em cofres de segurança. Cada unidade do ETF representa uma fração do ouro detido pelo fundo. São populares porque seguem de forma direta o preço do ouro físico.
- ETFs de dívida colateralizada com ouro: Com base numa estrutura legal exigida pela regulação europeia, estes produtos combinam elementos de obrigações estruturadas com a exposição ao ouro físico. O investidor não adquire ouro diretamente, mas sim uma obrigação emitida por uma entidade financeira respaldada por reservas de ouro.
- ETFs de futuros de ouro: Estes ETFs investem em contratos futuros de ouro em vez do metal físico. Por essa razão, podem não refletir exatamente o preço spot do ouro, devido a custos de rollover e outras complexidades associadas ao mercado de derivados.
- ETFs de empresas mineiras de ouro: Este tipo de ETF investe em ações de empresas dedicadas à exploração, extração e produção de ouro. O seu desempenho depende não só do preço do ouro, mas também de fatores específicos das empresas, como a eficiência operacional, custos de produção, reservas e fatores geopolíticos.
- ETFs de ouro com cobertura cambial: Estes ETFs oferecem proteção contra variações cambiais, o que pode ser relevante quando o ouro está cotado numa moeda diferente da utilizada pelo investidor (por exemplo, USD vs. EUR).
- ETFs alavancados e inversos de ouro: Criados para investidores mais experientes, estes ETFs procuram multiplicar o retorno diário do ouro (por exemplo, 2x ou 3x) ou gerar um retorno inverso (negativo). Utilizam instrumentos derivados e são adequados apenas para estratégias de curto prazo e elevada tolerância ao risco.
Quais são as vantagens de investir em ETFs de ouro?
Investir em ETFs de ouro oferece diversas vantagens face a outras formas de exposição ao metal precioso:
- Acesso facilitado ao ouro: Ao contrário da compra de ouro físico, os ETFs permitem obter exposição ao metal sem necessidade de armazenamento ou transporte.
- Liquidez: Sendo negociados em bolsa, os ETFs de ouro podem ser comprados e vendidos facilmente durante o horário de mercado — ao contrário do ouro físico, cuja venda pode ser mais demorada.
- Spread reduzido: A diferença entre o preço de compra e de venda (bid/ask) tende a ser mais baixa nos ETFs do que no mercado de ouro físico.
- Transparência de preços: O valor de um ETF de ouro está diretamente indexado ao preço spot do ouro nos mercados internacionais, garantindo preços atualizados em tempo real e maior transparência.
- Maior diversidade de opções: Como instrumentos financeiros, os ETFs permitem criar soluções ajustadas a diferentes perfis e objetivos — como ETFs com cobertura cambial, alavancagem ou estratégias específicas — algo difícil de replicar com ouro físico ou mesmo com fundos de investimento tradicionais.
Estará a iniciar-se um novo ciclo do ouro?
O ouro voltou a captar a atenção de investidores e analistas. Após vários anos de desempenho sólido, reafirma o seu papel como ativo de refúgio face à volatilidade dos mercados acionistas e à incerteza económica.
Historicamente, o ouro tende a destacar-se em períodos de crise e tensão económica. Os retornos móveis do ETF GLD em episódios anteriores ilustram como pode superar o S&P 500 quando a confiança nos mercados diminui. Este comportamento reforça o seu papel como instrumento de cobertura estratégica, para além da mera procura de rendibilidade.
Comparação histórica: Ouro vs S&P 500

Comparação entre ETFs de ouro físico e o S&P 500 UCITS, no período entre 2021 e 2026.
Interpretação: Em períodos de maior incerteza — como ajustamentos de política monetária, inflação persistente ou tensões geopolíticas — o ouro tem demonstrado maior resiliência face a quedas nos mercados acionistas, reforçando o seu enquadramento como ativo de refúgio.
Desempenho do ouro nas diferentes fases do ciclo económico

Ouro vs mercado acionista em fases de expansão, desaceleração, recessão e recuperação.
A análise indica que, em contextos de maior pessimismo económico e pressão sobre a renda variável, o ouro tende a apresentar um desempenho relativo superior face a outros ativos.
Nota informativa:
O ouro costuma evidenciar melhor comportamento em fases de desaceleração e recessão. Já em ciclos prolongados de mercado acionista em alta, o seu desempenho relativo pode ser inferior. Por esse motivo, é frequentemente considerado um instrumento de diversificação com perfil defensivo, e não um ativo orientado exclusivamente para crescimento.
Volatilidade e correlação

Comparação da volatilidade anualizada do ouro e do S&P 500, evidenciando o comportamento do ouro em momentos de maior instabilidade.
Apesar de apresentar volatilidade própria, o ouro não está perfeitamente correlacionado com os mercados acionistas, o que pode contribuir para maior equilíbrio em carteiras diversificadas.
Reflexão para 2026
O desempenho recente levanta uma questão relevante:
Estará o mercado a antecipar riscos específicos ou simplesmente a reagir a um contexto global de incerteza persistente?
Responder a esta questão pode ajudar a enquadrar o papel do ouro numa estratégia de alocação de ativos. Mais do que tentar antecipar movimentos de curto prazo, a inclusão de ouro é frequentemente analisada numa perspetiva de gestão de risco e diversificação, tendo em conta o seu comportamento histórico em períodos de instabilidade económica.
De forma geral, o ouro tende a apresentar melhor desempenho em momentos de tensão económica ou quando prevalece um sentimento de maior incerteza quanto ao futuro dos mercados.
Que modelos de carteiras indexadas incluem ouro?
Na tabela abaixo, apresentamos alguns dos modelos de carteiras mais conhecidos que incluem alguma exposição ao ouro.

Nenhuma destas carteiras teve, nos últimos 70 anos, rentabilidades nominais de dois dígitos de forma consistente. No entanto, apresentam geralmente menor volatilidade e quedas máximas menos acentuadas (Max Drawdown). Esta característica pode não estar relacionada exclusivamente com a presença de ouro, mas também com a alocação relevante a ativos como liquidez e obrigações. É o caso, por exemplo, das carteiras Risk Parity, Permanente e Permanente Global.
Estes dados sugerem que o ouro é incluído nestas carteiras como um ativo de proteção (refúgio). Ainda assim, convém ter em conta que a sua volatilidade é superior à das obrigações soberanas de curto e longo prazo. Nos últimos 10 anos, o ouro apresentou uma volatilidade (desvio padrão) de 16,97%, enquanto a dívida pública norte-americana de curto prazo teve 1,72% e a de longo prazo 13,52%.
No mesmo período, a queda máxima do ouro foi de 41,55%. Para a dívida de curto prazo foi de apenas 6,16% e para a de longo prazo, 44,73%. Ou seja, continua a ser mais instável do que os Treasuries de curto prazo.
Mas se analisarmos o Sharpe Ratio — uma métrica que relaciona rentabilidade com risco — percebemos melhor a lógica por detrás da inclusão do ouro. O Sharpe Ratio do ouro foi de 0,49, enquanto o da dívida soberana de curto prazo foi de 0,30 e o da de longo prazo de 0,21. Em resumo, embora o ouro seja mais volátil e possa sofrer quedas acentuadas, tende a recuperar de forma mais eficaz do que as obrigações.
Historicamente, o ouro registou valorizações em alguns períodos de elevada incerteza, embora tal comportamento não esteja garantido.
Por outro lado, o ouro nem sempre cumpre a função de cobertura contra a inflação. Mesmo quando esta subiu de forma significativa, como em 2021, o ouro não respondeu como seria esperado. A imagem abaixo mostra essa relação nos EUA, mas o comportamento foi semelhante na Europa e noutros países.

Vale a pena investir em ouro através de ETFs? | A opinião do Gaspar
Na Europa, os únicos instrumentos disponíveis para ter exposição ao ouro são os ETCs com estrutura legal de dívida colateralizada. Isto mostra o quão atrasada está a regulamentação europeia neste tema.
O investidor não é proprietário direto do metal, mas sim credor de uma obrigação do emissor. Se o emissor ou o custodiante se tornarem insolventes e o ouro não estiver devidamente segregado, o investidor pode não recuperar o valor total do seu investimento. Além disso, parte do ouro pode estar temporariamente em contas não atribuídas (unallocated), o que representa um risco adicional em caso de falência, roubo ou fraude — uma vez que esse ouro não está identificado individualmente.
Esta estrutura é usada sobretudo devido à legislação europeia, mas também por oferecer um acesso mais eficiente e líquido ao mercado de ouro físico, sem os custos e a logística associados à compra, transporte e segurança de lingotes.
Embora o marketing destes produtos muitas vezes sublinhe que são suportados por ouro físico guardado em cofres de renome, a realidade legal é que o investidor tem um direito financeiro, e não a posse direta do metal. Por isso, é essencial acompanhar de forma periódica:
- O nível de alocação do ouro (allocated vs unallocated);
- A solidez financeira do custodiante e do emissor;
- Os relatórios de auditoria do ouro armazenado.
Não se trata de alarmismo, mas sim de explicar com clareza o que estamos realmente a comprar.
FAQs
Entre as formas mais comuns de obter exposição ao ouro estão o ouro físico (lingotes, moedas), os ETCs/ETFs listados em bolsa e outros instrumentos financeiros. Cada alternativa tem implicações distintas em termos de custos, liquidez, segurança e complexidade operacional, pelo que a escolha dependerá sempre da situação pessoal de cada investidor.
Depende do método escolhido. Ter ouro físico em casa pode ser arriscado ou não, consoante o contexto. Já os ETFs oferecem uma boa proteção legal, mas tal como em qualquer ativo, o risco nunca é zero — nem em termos de custódia, nem de valorização.
Nos ETFs, não há limite. Para ouro físico, em muitos países da Europa, o limite de compra sem identificação é de 2.500 euros.
Lightyear: A prestação de serviços de investimento é assegurada pela Lightyear Europe AS. Aplicam-se os termos: lightyear.com/terms. Consulte um profissional qualificado, caso tenha dúvidas. Capital em risco.
Podem aplicar-se outras comissões.
RANKIA PORTUGAL: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, nem recomendação de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. A rentabilidade passada não garante retornos futuros. Antes de tomar decisões de investimento, recomenda-se a consulta de um profissional devidamente habilitado.
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