IBEX 35: o que é, como funciona e quais empresas o compõem
Sabia que o IBEX 35 superou a rentabilidade do S&P 500 nos últimos cinco ou seis anos, entre 2020 e 2026? De facto, com ou sem dividendos, a bolsa espanhola teve um desempenho superior ao da bolsa norte-americana no decorrer da presente década.
Mas será isso possível? A verdade é que sim. Neste artigo, explico o que é o IBEX 35, por que razão atingiu máximos históricos em 2026 e como funciona uma das formas mais habituais de aceder a este índice a partir de Portugal.
Este artigo é de caráter puramente informativo e não constitui nem deve ser interpretado como aconselhamento ou recomendação de investimento. Sempre consulte um profissional financeiro antes de tomar decisões de investimento
O que é o IBEX 35?
O IBEX 35 é o principal índice bolsista de referência da Bolsa de Madrid e representa a evolução de 35 das maiores empresas cotadas espanholas. Estas empresas pertencem a vários setores da economia, como o financeiro, energético, tecnológico e de serviços, e foram selecionadas com base em critérios de liquidez e capitalização bolsista.
Criado em 1992, o índice é calculado pela Bolsas y Mercados Españoles (BME) e revisto duas vezes por ano — em junho e dezembro. O objetivo destas revisões é garantir que o índice reflete de forma fiel a composição do mercado, ajustando a sua carteira em função do volume de transações e da capitalização ajustada pelo free float de cada empresa.
Por ser composto pelas empresas mais representativas do mercado espanhol, o IBEX 35 é frequentemente utilizado como barómetro da economia de Espanha.
Porque atingiu o IBEX 35 máximos históricos em 2026?
Depois de tantos anos de travessia no deserto, parecia impossível, mas a verdade é que não só atingiu máximos em 2025, como em 2026 já ultrapassou, e de forma clara, a barreira dos 17.000 pontos.
Além disso, como referi na introdução, o nosso índice superou a bolsa norte-americana sob duas perspetivas, como se pode ver no quadro seguinte.
| Índice (tipo) | Rentabilidade últimos 5 anos | Rentabilidade últimos 3 anos |
| IBEX 35 com dividendos | +135,5% | — |
| S&P 500 com dividendos | +107% | — |
| IBEX 35 sem dividendos (preço) | +95,8% | +83% |
| S&P 500 sem dividendos (preço) | +91,7% | +53% |
Como foi possível? Deve-se ao mérito dos responsáveis políticos espanhóis por posicionarem Espanha como um destino atrativo para o investimento estrangeiro? Infelizmente, nada mais longe da realidade. De facto, desde meados de 2018 até ao final de 2023 (último dado oficial), o investimento estrangeiro em Espanha caiu para metade, passando de 52.000 milhões de euros para pouco mais de 28.000 milhões.
Regulação, entraves burocráticos e uma carga fiscal crescente… mas, apesar de tudo, o IBEX mantém-se próximo de atingir os máximos históricos de 2007.
Então, o que aconteceu? Como foi possível? Vejamos as três razões que explicam este movimento de forte valorização, que já colocou o índice acima dos 17.000 pontos.
Um índice altamente bancarizado
Como já referimos noutras ocasiões, o IBEX 35 é, de longe, o índice europeu com maior exposição ao setor bancário. Cerca de um terço da sua capitalização (33%) corresponde a grandes instituições financeiras espanholas, como o Santander (SAN.MC), o BBVA (BBVA.MC), o CaixaBank (CABK.MC) ou o Bankinter (BKT.MC).
Entre 2022 e 2024, assistiu-se a um dos acontecimentos macroeconómicos mais marcantes da década: a subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, que passaram de –0,50% para +4%, antes de se iniciar o ciclo de descidas no final de 2024.
Neste contexto, a banca espanhola distinguiu-se da restante banca europeia por uma estratégia muito particular: a maior parte das instituições não refletiu essa subida de juros nos produtos de poupança, ou seja, praticamente não remunerou os depósitos dos clientes. Este fator traduziu-se em lucros extraordinários para o setor, com diversos bancos a atingirem novos máximos de rentabilidade.

A banca espanhola praticamente não remunerou os depósitos dos clientes
Fonte: Bloomberg
Este cenário impulsionou fortemente a valorização das ações bancárias em bolsa. Sendo o setor com maior peso no índice — aproximadamente 30% —, a sua performance positiva teve um impacto direto e significativo na evolução do IBEX 35. Quando empresas com esse peso apresentam revalorizações na ordem dos 40% a 50% (como foi o caso do Santander, BBVA e CaixaBank entre 2022 e 2025), o efeito sobre o índice é inevitavelmente amplificado.
O regresso da preferência pelo investimento “value”
Dando seguimento ao primeiro ponto, há um segundo fator relevante a considerar. Com as taxas de juro e as obrigações soberanas europeias a 10 anos a rondar os 4%, os investidores institucionais passaram a encontrar alternativas com níveis de rentabilidade considerados mais previsíveis e com menor exposição ao risco de mercado.
Neste contexto, os fluxos de investimento tenderam a concentrar-se em empresas que geram resultados e fluxos de caixa no presente, e não em modelos de negócio que projetam lucros para daqui a cinco ou dez anos. Em outras palavras, quanto mais atrativa se torna a remuneração de instrumentos de dívida pública ou privada no curto prazo, menor é o interesse em empresas cuja valorização depende de hipóteses futuras. Isto aumentou o destaque das chamadas empresas de perfil “value”, que se caracterizam por resultados mais estáveis e visíveis.
É neste cenário que o IBEX 35 apresenta uma particularidade estrutural: mais de 50% da sua composição está concentrada nos setores da banca, energia e infraestruturas — segmentos que, tradicionalmente, apresentam políticas consistentes de distribuição de dividendos. Para os investidores, este perfil pode ser visto como uma forma de manter exposição ao mercado acionista com rendimentos correntes mais previsíveis, num ambiente onde os retornos imediatos tendem a ser mais valorizados.

Para melhor compreender esta dinâmica, basta compará-la com a de outros índices, como o Russell 2000, nos Estados Unidos. Este índice é composto, em grande parte, por empresas tecnológicas e biotecnológicas de pequena capitalização, cujo valor depende fortemente de fluxos de caixa futuros e de investimentos em fases iniciais. Essas empresas, por norma, apresentam maiores níveis de endividamento e estão mais expostas ao aumento do custo do capital — isto é, à subida das taxas de juro.
Num cenário em que os instrumentos de dívida e empresas de grande dimensão oferecem retornos mais previsíveis, os modelos de negócio baseados em inovação de longo prazo enfrentam desafios acrescidos. Em resumo, taxas de juro elevadas tendem a favorecer empresas com resultados presentes — como muitas das que integram o IBEX 35 — e penalizam mais fortemente os projetos que ainda se encontram em fase de desenvolvimento.
Valorização por exclusão
Durante vários anos, a bolsa espanhola foi deixada de lado pelos grandes investidores institucionais. Razões não faltavam: burocracia, propostas de impostos sobre lucros extraordinários, exigências regulatórias e a conhecida prática das “portas giratórias”. Este contexto levou muitos capitais estrangeiros a preferirem outros mercados, como Wall Street ou os principais índices da Europa Central.
O desinteresse foi tal que, em 2023, o IBEX 35 era negociado a apenas 10,9 vezes os seus lucros — o múltiplo mais baixo entre os grandes índices europeus.
Nesse enquadramento, os fatores já referidos — como a valorização de empresas com fluxos de caixa presentes, ou os lucros robustos no setor bancário —, aliados à avaliação relativamente baixa do índice, levaram a um novo olhar sobre o mercado espanhol. Para alguns agentes de mercado, esta combinação foi interpretada como uma oportunidade ainda não refletida nos preços.
Como investir no IBEX 35?
Tal como acontece com os principais índices bolsistas internacionais, existem diversas formas de obter exposição ao IBEX 35 — o índice de referência do mercado espanhol. Entre as mais comuns encontram-se os ETFs, os fundos indexados (ou de gestão passiva) e a aquisição direta de ações (stock picking).
Entre as diferentes formas de acompanhar os mercados financeiros, encontram-se as plataformas devidamente registadas. A XTB é um exemplo de corretora que disponibiliza acesso a instrumentos como ETFs do IBEX 35 ou a ações de empresas cotadas, incluindo entidades como o Santander.
ETFs que replicam o IBEX 35
A forma mais simples de acompanhar o desempenho do índice passa pela utilização de um ETF (fundo negociado em bolsa) que esteja indexado ao IBEX 35. Este tipo de instrumento replica diretamente a composição do índice, investindo nas 35 empresas que o compõem.
Um dos produtos que tem esse objetivo é o Amundi IBEX 35 UCITS ETF – Acc (FR0010655746). Trata-se de um ETF com réplica física completa, o que significa que adquire diretamente todas as ações incluídas no índice. Além disso, é um fundo de acumulação, ou seja, os dividendos recebidos são automaticamente reinvestidos no próprio fundo.
Características principais
- Nome e código ISIN: Amundi IBEX 35 UCITS ETF – Acc (FR0010655746)
- Rentabilidade (últimos 3 anos): +124% (dados históricos)
- Distribuição de dividendos: Não – reinveste automaticamente (acumulação)
- TER (Total Expense Ratio): 0,30%
- Volatilidade (1 ano): 16,5% (a do índice IBEX 35)
Em termos de composição, os dez maiores títulos — como Iberdrola, Banco Santander, BBVA, Inditex e CaixaBank — representam cerca de 77% da carteira do fundo, o que reflete a elevada concentração nas maiores empresas do índice, característica habitual no IBEX 35.
Do ponto de vista setorial, os serviços financeiros representam a maior fatia (cerca de 36%), seguidos pelos setores de utilities (21%) e consumo discricionário (11%).

Fonte: justetf
Relativamente ao desempenho, este ETF tem registado uma evolução muito próxima da do IBEX 35 com dividendos, beneficiando da reinversão automática dos proventos. Em 2025, por exemplo, a valorização acumulada aproximou-se dos +54,8 %, segundo os dados divulgados pelo próprio fundo, refletindo tanto a recuperação do índice como o efeito da acumulação dos dividendos.
Outros ETFs relacionados com o IBEX 35
Para além do ETF tradicional que replica diretamente o índice, também existem no mercado outros instrumentos colaterais sobre o IBEX 35. Estes produtos apresentam características adicionais, como distribuição periódica de dividendos, alavancagem diária ou exposição inversa.
Abaixo alguns exemplos:
| ETF | Ticker | ISIN |
| Amundi IBEX 35 UCITS ETF Dist (distribuição anual) | LYXIB | FR0010251744 |
| Amundi IBEX 35 Doble Apalancado Diário (2x) UCITS ETF Acc | IBEXA | FR0011042753 |
| Lyxor IBEX 35 Inverso Diário UCITS ETF EUR (–1x inverso) | — | FR0010762492 |
Fundos indexados ao IBEX 35 (exemplo: BBVA)
Tal como acontece com os ETFs, também existem fundos que procuram replicar a evolução do IBEX 35. Um exemplo é o BBVA Bolsa Índice, FI (ISIN: ES0110182039), lançado em agosto de 1996 e gerido pela BBVA Asset Management. Este fundo tem como objetivo acompanhar o comportamento do IBEX 35 Total Return, isto é, incluindo a reinversão dos dividendos.
Características do fundo
- Nome: BBVA Bolsa Índice, FI
- ISIN / Classe: ES0110182039 / A
- Alpha (3 anos): -1%*
- Benchmark: Não definido
- Rácio de Sharpe (3 anos): 0,35
- TER (despesas correntes): 1,1%
- Património do fundo: 143,2 milhões €
- Rentabilidade a 3 anos (anualizada): +110%
* Apesar de ser um fundo indexado, apresenta um alpha negativo de 1%, resultante das comissões anuais (TER de 1,20%).
À semelhança do ETF, este fundo concentra a maior parte do investimento nas grandes empresas que compõem o IBEX 35. No entanto, uma das diferenças principais está no nível de comissões: enquanto no caso de alguns ETFs os encargos totais rondam 0,3%, neste fundo as despesas correntes anuais situam-se em 1,20%.
Embora não exista comissão de gestão explícita — o que seria expectável num produto indexado — podem ser aplicadas comissões de subscrição ou de reembolso, caso a operação seja realizada fora da plataforma BBVA Trader.
No essencial, a estratégia do fundo passa por acompanhar a evolução do IBEX 35 Total Return. Nos últimos três anos, o desempenho acumulado foi positivo, com ganhos na ordem dos +100%, segundo os dados divulgados pela própria entidade gestora.
Existem ainda outros fundos indexados ao IBEX 35 que podem ser do seu interesse:
| Fundo | TER | ISIN |
| CaixaBank Bolsa Índice España, FI | 1,10% | ES0138392032 |
| Santander Índice España, FI | 1,10 – 1,15% | ES0119203034 |
| Ibercaja Bolsa España, A FI | 1,80% | ES0147186037 |
Stock picking ou investimento direto em ações do IBEX 35
Outra forma de obter exposição ao índice seria investir diretamente nas ações que o compõem, adquirindo cada título de acordo com o peso que representa dentro do IBEX 35.
Para ilustrar, seguem as 10 principais empresas do índice, por ordem de ponderação aproximada:
- Banco Santander (SAN) – ~16,51 %
- Iberdrola (IBE) – ~13,36 %
- BBVA (BBVA) – ~12,12 %
- Inditex (ITX) – ~11,00 %
- CaixaBank (CABK) – ~6,35 %
- Ferrovial (FER) – ~4,60 %
- Amadeus IT Group (AMS) – ~3,89 %
- Aena SME (AENA) – ~3,58 %
- Telefónica (TEF) – ~3,27 %
- International Airlines Group (IAG) – ~2,80 %
Na prática, porém, configurar uma carteira replicando o índice apresenta várias limitações:
- Custos de compra: seriam necessárias 35 operações iniciais, implicando o pagamento de comissões em cada transação.
- Rebalanceamento periódico: o IBEX 35 é revisto duas vezes por ano (em junho e dezembro), podendo entrar ou sair empresas, além das alterações nas ponderações. Isso obrigaria a vender e recomprar ações para manter a carteira alinhada, gerando custos adicionais.
- Esforço de gestão: manter uma carteira com 35 títulos exige tempo, acompanhamento constante e atualização das ponderações, tornando esta estratégia pouco prática para a maioria dos investidores particulares.
Exemplo prático: como investir no IBEX 35 com a XTB
Para ilustrar como funciona a compra de um ETF do IBEX 35, usamos a XTB como exemplo. A plataforma está disponível em Portugal, é regulada na Europa, tem escritório em Lisboa e aplica comissão de 0€ em ações e ETFs reais até 100.000€ de volume mensal.
Ainda assim, este exemplo tem apenas fins ilustrativos e não constitui uma recomendação. O processo de compra de um ETF é semelhante noutras corretoras reguladas, como a Trading 212, a Trade Republic ou a Lightyear, embora possam existir diferenças nas comissões, na interface e nas condições aplicáveis
Passo 1: Abrir conta na XTB
- Só teremos que ir ao site da XTB, e fazer clique no botão verde no canto superior esquerdo de “Torne-se cliente“.
- Depois pedirão email e verificação do mesmo
- Seguimos os passos no processo de verificação de conta dando alguns dados mais (Residência fiscal, nome e apelidos e vinculação de conta bancária), e já teremos a nossa conta pronta.
Para mais informações, deixo-te com o seguinte artigo mais detalhado: Como abrir conta na XTB
Passo 2: Fazer um depósito mínimo
Já com a nossa conta, o próximo passo é depositar fundos na corretora para poder comprar ETFs ou ações.
- Abrimos a nossa xStation 5, a plataforma da XTB, e abaixo à esquerda fazemos clique no botão laranja “Depósito – Retirada”.
- E escolhemos a forma de depósito que preferimos:
- VISA: Instantâneo
- Mastercard: Instantâneo
- Paypal: 24 horas
- Transferência Bancária: 2-3 dias úteis.
No meu caso, como não cobra nenhum tipo de comissão, para maior comodidade escolherei cartão de crédito/débito
Passo 3: Procurar o ETF
Na barra de pesquisa da xStation 5, procura pelo nome ou ISIN do ETF que pretendes comprar. Vamos ao pesquisador da XTB:

- Indicamos o nome do Índice “IBEX 35”
- ISIN: FR0010251744
- Bolsa de cotação: MAD
- Política de dividendos: Distributivo
- TER: 0.3%
- E fazemos clique no botão das velas japonesas para abrir o gráfico

Passo 4: Colocar a ordem de compra do ETF
O momento de comprar está a aproximar-se, de facto, agora só me resta colocar a ordem de compra. Nesta ocasião seguiremos os seguintes passos:
- Clique no botão “+” que se vê na captura de ecrã do “passo 3”.

- Começamos a estabelecer a ordem de compra
No meu caso será uma ordem ao mercado ou instantânea com a seguinte configuração:
- Ação Inteira no ETF, apesar de haver a opção de compra fracionada
- Comissões: Como podes observar são 0 euros. E é que a XTB não cobra comissões por comprar ações e ETFs reais (apenas o spread).
- Revejo que o resto da ordem esteja correto:
- Preço do ETF: 172.90€
Passo 5: Comprar do ETF
- Por último, se tudo estiver correto, clique no botão verde “buy” que pode ver na captura de ecrã acima.
- E já está, é assim tão fácil investir no IBEX 35.
- De facto, receberemos um aviso da nossa compra. E agora, se quisermos ver o nosso ETF comprado, vamos a “Posições abertas” na parte esquerda da plataforma XTB.
Onde investir num ETF/ação do IBEX 35
Para investir num ETF ou ações do índice IBEX 35, é necessário utilizar uma corretora que dê acesso às bolsas europeias (como a Bolsa de Madrid). Em Portugal, existem várias plataformas internacionais populares — cada uma com estruturas de custos e funcionalidades diferentes
| Trade Republic | Lightyear | Trading 212 | |
| Tipos de Ativos | Ações, ETFs, Criptomoedas, Obrigações, Derivados, Fundos de Private Equity | Ações, ETFs | Ações, ETFs, Criptomoedas |
| Comissão | 1€ por operação | Sem comissão de execução em ETFs; até 1€ / 1$ / 1£ por ordem em ações | 0% de comissão de execução |
| Regulação | BaFin Bundesbank | FCA e EFSA | CySEC FCA FSC ASIC BaFin |
| ➡️Saber mais | ➡️Saber mais | ➡️Saber mais |
Como funciona o IBEX 35?
Antes de responder às perguntas mais frequentes, vejamos brevemente como funciona este índice.
Que requisitos deve cumprir uma empresa para integrar o índice IBEX 35?
Desde a sua criação em 1992, o IBEX 35 é gerido pela BME (Bolsas e Mercados Espanhóis), uma entidade que conta com um Comité Consultivo Técnico (CAT), o qual se reúne várias vezes por ano para decidir quais as empresas que permanecem no índice e quais são substituídas. As decisões baseiam-se, essencialmente, nos seguintes critérios:
- Liquidez: A ação deve ter sido negociada em, pelo menos, um terço das sessões durante o período de controlo (6 meses anteriores à reunião).
- Capitalização bolsista: A capitalização média da empresa deve ser superior a 0,30% da capitalização média total do IBEX 35 no mesmo período.
As reuniões do CAT realizam-se trimestralmente, sendo duas de carácter ordinário (junho e dezembro) e duas extraordinárias (março e setembro). As atualizações do índice ocorrem nas reuniões ordinárias, ou seja, a cada seis meses. Deste modo, se uma empresa deixar de cumprir os critérios estabelecidos, poderá ser substituída por outra que os cumpra.
Importa referir que, para além destes dois critérios objetivos (liquidez e capitalização mínima), o Comité Consultivo Técnico (CAT) dispõe de margem para aplicar critérios qualitativos e de oportunidade ao analisar a entrada ou saída de uma empresa.
- Importância sectorial: Avalia-se o peso do setor da empresa na economia espanhola e no próprio índice (ex.: serviços financeiros, energia).
- Volatilidade: O CAT pode considerar a volatilidade do título na bolsa ao avaliar a sua adequação.
- Liquidez vs Capitalização: Pode ser considerada a situação financeira da empresa: liquidez disponível em comparação com a sua capitalização bolsista.
O que acontece quando uma empresa sai do IBEX 35?
Na realidade, não acontece nada de imediato. Na sessão seguinte, essa empresa simplesmente deixa de figurar entre as 35 que compõem o IBEX 35, sendo substituída por outra. O índice ajusta-se de forma automática, refletindo esse movimento na sua valorização total, positiva ou negativa.
Assim, quando o Comité decide retirar uma empresa do IBEX 35, isso deve-se ao facto de a sua liquidez ou capitalização terem piorado relativamente a outras empresas candidatas.
É verdade que a saída pode afetar a perceção dos investidores em relação à empresa. Embora deixar de integrar o IBEX 35 não signifique, de modo algum, deixar de estar cotada em bolsa, tal decisão pode ter impacto negativo na cotação das suas ações.
Dias em que o IBEX 35 não opera em 2026
No que respeita aos feriados em que o mercado espanhol permanecerá fechado em 2026, o calendário é o seguinte:
- Quarta-feira, 1 de janeiro – Ano Novo (fechado)
- Sexta-feira, 3 de abril – Sexta-feira Santa (fechado)
- Segunda-feira, 6 de abril – Segunda-feira de Páscoa (fechado)
- Sexta-feira, 25 de dezembro – Natal (fechado)
- Quinta-feira, 24 de dezembro – Véspera de Natal (aberto até às 14h00)
- Quinta-feira, 31 de dezembro – Véspera de Ano Novo (aberto até às 14h00)
Para mais detalhes, pode ser útil consultar o calendário bolsista completo, com todos os dias em que as bolsas estarão encerradas.
IBEX 35: Vantagens e Riscos de Investir no Índice Espanhol em 2026
O IBEX 35 fechou 2025 com uma valorização de quase 50% — o melhor desempenho entre os principais mercados europeus — atingindo máximos históricos acima dos 17.800 pontos. Uma performance impressionante, mas que levanta uma questão inevitável: o que esperar daqui para a frente?
Do lado positivo, a economia espanhola continua a ser um dos motores da zona euro. A OCDE estima um crescimento de 2,9% em 2025 e 2,2% em 2026, acima da média europeia. O índice também beneficia de avaliações relativamente atrativas face a outros mercados europeus e de uma baixa exposição às tarifas dos EUA, com fundamentos internos sólidos — desemprego em queda e inflação controlada.
Contudo, os riscos em 2026 são reais. A 19 de março, o IBEX caiu 2,38%, pressionado pelo setor bancário — Santander recuou 3,39% e o BBVA 2,18% — com apenas a Repsol a fechar no verde, sustentada pela subida do crude. A concentração setorial é um risco estrutural que não pode ser ignorado: com o setor bancário a representar mais de 40% do índice, qualquer abrandamento nos resultados dos grandes bancos espanhóis tem um impacto desproporcional. O mesmo motor que impulsionou o IBEX em 2025 é hoje a sua maior vulnerabilidade. A isto acresce a revisão em alta da previsão de inflação pelo BCE para 2,6% em 2026 — acima dos 1,9% anteriores — o que lança dúvidas sobre a manutenção dos tipos de juro nos atuais 2%.
Em suma, o IBEX 35 é um índice com fundamentos sólidos, mas o contexto de 2026 apresenta condicionantes que justificam uma análise cuidada por parte de cada investidor.
Alternativas ao IBEX 35: Europa e EUA
Para quem procura conhecer outros mercados, existem vários índices internacionais relevantes:
- FTSE 100 – o principal índice britânico, que reflete a evolução das maiores empresas do Reino Unido e a importância da City de Londres no sistema financeiro global.
- DAX 40 – o índice de referência da Alemanha, que acompanha as maiores companhias da maior economia da Europa.
- S&P 500 e Nasdaq – dois dos mais importantes índices de Wall Street, que refletem a evolução da economia norte-americana e o papel central das grandes tecnológicas e industriais no panorama global.
FAQS
Sim, sem restrições. Qualquer residente em Portugal pode investir através de corretoras online reguladas na Europa — XTB, Trading 212, Trade Republic ou Lightyear. Os ganhos estão sujeitos a IRS como mais-valias ou rendimentos de capitais.
O IBEX 35 é um índice, não um ativo — não se compra diretamente. Um ETF replica o índice numa única transação, com custos baixos e exposição às 35 empresas. Comprar ações individualmente (Santander, Inditex, etc.) implica mais gestão, maior risco concentrado e custos mais elevados.
IBEX 35. Não existe nenhum “IBEX 25” — é uma designação incorreta que circula com frequência. O IBEX 35 é o principal índice da Bolsa de Madrid, composto pelas 35 empresas espanholas com maior liquidez e capitalização bolsista.
Interactive Brokers: Investir em produtos financeiros envolve risco. As perdas podem exceder o valor do seu investimento inicial.
RANKIA PORTUGAL: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, nem recomendação de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. A rentabilidade passada não garante retornos futuros. Antes de tomar decisões de investimento, recomenda-se a consulta de um profissional devidamente habilitado.
Trade Republic: Investir em ações envolve o risco de perda do seu dinheiro. Invista de forma responsável.
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Investir é arriscado. Invista com responsabilidade.
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