Poderá a Bitcoin vir a ser o futuro ouro digital?

Bitcoin

Num mundo em constante mudança e evolução tecnológica como a que se vive atualmente e com a situação atual de crise pandémica, todos os mercados se encontram em adaptações aos tempos modernos, em que os postos de trabalho mais físicos e presenciais estão a ser substituídos e readaptados para o formato remoto e digital. 

Num mundo da Internet e das compras online, soma-se todo este contexto atual de pandemia, e surge uma protagonista inesperada: a tecnologia blockchain que deu origem à tão famosa bitcoin. 

Características da Bitcoin

Esta moeda digital, de sigla BTC, surge com o intuito de criar as operações de troca mais rápidas, menos dispendiosas e com características únicas e distintas das atuais moedas fiduciárias que são utilizadas mais hoje em dia.

Uma das características principais da Bitcoin é esta ser, pelas palavras de Satoshi Nakamoto, “simplesmente dinheiro eletrónico peer to peer“. Ou seja, as transações efetuadas com esta moeda são efetuadas de pessoa para pessoa, sem existir uma terceira parte envolvida na transação. 

Outra característica única da bitcoin é o facto desta ser uma moeda descentralizada, que não é controlada por nenhuma entidade, nem emitida por nenhum banco central. 

Para além disto, é um ativo com escassez, visto que neste momento se encontram em circulação cerca de 18 milhões e 600 mil Bitcoins, com um limite total de apenas 21 milhões de Bitcoins a poderem ser emitidos.  

Inflação e ascensão da Bitcoin 

Neste momento, o mundo atravessa uma das maiores crises e há quem ainda defenda que o pior ainda está para vir. Numa tentativa de combate à contração económica decorrente da pandemia do COVID-19, rapidamente as grandes potências mundiais adotaram medidas drásticas de compras de títulos e de adoção de programas de apoio através dos seus bancos centrais. 

A Reserva Federal (Fed) foi a primeira a atuar, com a baixa das taxas de juro e a aprovação de estímulos no valor de 2,2 triliões de dólares, o que acabou por inundar o mercado de dinheiro. 

Estas medidas têm sido consideradas bem sucedidas na luta contra a crise a curto prazo, mas a longo prazo podem surgir mais problemas, como a hiperinflação, o que pode levar a uma desvalorização acentuada do dólar (e de outras moedas) e à diminuição do poder de compra por parte da população. 

E é neste cenário que a Bitcoin pode ganhar voz e subir no mercado financeiro mundial. Se surgirem mais problemas a longo prazo, a Bitcoin pode substituir o dólar e o ouro como reserva mundial. 

Este cenário pode não ser tão distante no futuro, uma vez que os grandes bancos e instituições financeiras já começaram a adquirir Bitcoins e outras criptomoedas como instrumento de reserva de valor e de investimento. 

Poderá a Bitcoin assumir o papel de reserva de valor digital?

Para que uma moeda ou ativo seja utilizado eficazmente como uma reserva cambial e de valor, como o ouro, determinadas propriedades devem ser assumidas. 

A escassez de ouro pode ser considerada como uma das características mais importantes, uma vez que lhe confere valor intemporal, e é vista como capaz de superar os períodos inflacionários mais fortes. A sua durabilidade é também preponderante, uma vez que, para servir de reserva de valor, este ativo deve ser capaz de preservar esse mesmo valor no tempo. 

A sua divisibilidade, em frações mais reduzidas, e a fungibilidade, que permite que cada uma dessas divisões tenha o mesmo valor que as outras unidades de tamanho igual, são outras características imprescindíveis. E para que seja uma eficiente moeda de troca, necessita de ser também transferível.

Analisando cada uma destas propriedades em detalhe, pode ver-se que um ativo tem todas estas características: o ouro. Mas nestes tempos, a Bitcoin pode ser vista como um forte rival para esta mercadoria como uma reserva de valor.

No entanto, pelo facto da moeda digital ser uma tecnologia emergente e completamente disruptiva, ainda possui outras características menos vantajosas para se tornar o ativo de refúgio de eleição. Devido à forte especulação atual em torno deste ativo, o mesmo possui um grau de volatilidade elevadíssimo, podendo valorizar ou desvalorizar cerca de 10.000 dólares em poucos dias. 

Mas será então possível eliminar este fator, para aproximar a Bitcoin do ouro no trono a reserva de valor? A resposta poderia ser sim, mas só e apenas quando esta for utilizada de forma universal como moeda de troca e deixar de ser vista aos olhos da grande maioria dos investidores, como um ativo que gera grandes rentabilidades em curtos espaços de tempo. 

Se esse cenário prevalecer, poderá ser vista a ascensão da Bitcoin como “ouro digital” e como reserva de valor. Ou será que a Bitcoin será vista como um ativo que falhou o seu objetivo de tentar salvar o sistema financeiro atual?

 


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Sobre o autor

Daniel Cunha

Market Analyst & Business Developer na TeleTrade

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