Investir em dividendos: guia básico para iniciantes

O investimento em dividendos é uma estratégia com uma longa história nos mercados financeiros e continua a ser utilizada por investidores que procuram combinar a valorização do capital com a possibilidade de receber rendimentos periódicos.

Neste guia explicamos o que são os dividendos, como funcionam, quem tem direito a recebê-los e quais os principais indicadores, estratégias e instrumentos associados a este tipo de investimento.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não constitui uma recomendação de investimento. O investimento em instrumentos financeiros envolve o risco de perda parcial ou total do capital.

Mas, afinal, o que são os dividendos? Quando é necessário deter as ações para ter direito ao pagamento? É possível receber o dividendo e vender as ações logo de seguida? Que direitos tem um acionista?

Ao longo deste artigo reunimos algumas das dúvidas mais frequentes sobre o investimento em dividendos.

O que é o investimento em dividendos?

O objetivo é obter rendimentos periódicos sem depender exclusivamente da valorização das ações. Contudo, o pagamento de dividendos não é garantido: uma empresa pode reduzir, suspender ou eliminar a distribuição caso a sua situação financeira ou as necessidades do negócio se alterem.

E o que é um dividendo?

Um dividendo é uma parte dos lucros de uma empresa que pode ser distribuída pelos seus acionistas.

Em termos simples, representa uma forma de remunerar quem detém uma participação no capital da empresa.

Quando uma empresa obtém lucros, pode optar por:

  • Reinvesti-los no próprio negócio;
  • Reduzir o seu endividamento;
  • Constituir reservas;
  • Adquirir ações próprias;
  • Distribuir uma parte pelos acionistas através de dividendos.

A decisão de distribuir dividendos depende da política financeira da empresa, dos resultados obtidos, da disponibilidade de caixa e dos seus planos de investimento.

Por que razão as empresas distribuem dividendos?

O objetivo de toda empresa é maximizar os lucros que gera, e pode fazê-lo de diferentes formas:

  • Investir no próprio negócio
  • Reduzir a dívida
  • Recompensar o acionista

O facto de a empresa querer recompensar o acionista através de dividendos deve-se a três razões principais que se alimentam mutuamente.

  • Demonstrar força financeira: A empresa quer enviar a mensagem de que o negócio é suficientemente bom para que parte do lucro possa ser distribuída ao acionista sem que isso prejudique o funcionamento da mesma.
  • Marketing: Associada à anterior, com o anúncio de uma distribuição de dividendos, a empresa quer enviar uma mensagem de força, pois se pode pagar o dividendo quer mostrar que o negócio é suficientemente bom e que gera lucro suficiente para realizar esta operação.
  • Atrair novos investidores: A empresa quer atrair outro tipo de perfil de investidor, o investidor por dividendos. Ao atrair novos investidores isso vai fazer com que a cotação da empresa suba e assim a empresa oferece uma nova mensagem de força.

Quem decide o valor e a data do pagamento do dividendo?

Tanto o valor como a data do dividendo, têm de ser aprovados na Assembleia Geral de acionistas, a proposta do Conselho de Administração. Na Europa, o pagamento do dividendo costuma ser feito uma ou duas vezes por ano, enquanto nos EUA costuma ser a cada 3 meses.

Que tipos de dividendos existem?

Uma empresa pode remunerar os acionistas de diferentes formas.

  • Dividendo em numerário: É a modalidade mais comum. O acionista recebe um determinado montante em dinheiro por cada ação detida.
  • Em Scrip Dividend ou ‘Dividendo flexível’: Neste caso, o acionista escolhe entre receber o dividendo em dinheiro ou em ações. Essas ações podem vir da carteira própria da empresa ou de um aumento de capital.
  • Dividendo em ações: Neste caso, a remuneração não é feita em numerário, mas através da atribuição de ações adicionais, embora o acionista passe a deter um número superior de ações, isso não significa necessariamente que o valor total da sua participação aumente na mesma proporção.

Centrado no pagamento em dinheiro existem dois tipos de dividendos:

  • Dividendo ordinário: são aqueles que estão ligados à atividade da empresa e que por sua vez se dividem em dois:
    • A conta: quando o pagamento é feito antes de se conhecer o lucro final da empresa.
    • Complementar: conhecido o lucro e o dividendo a pagar, a sociedade paga a diferença entre este valor e o pago como dividendo a conta.
  • Dividendo extraordinário: quando uma empresa decide pagar um dividendo excecional (normalmente ligado a algum acontecimento incomum, como a obtenção de mais-valias após uma operação corporativa) e sem intenção de mantê-lo regularmente ao longo do tempo.

Quem tem direito a receber os dividendos?

Todos os acionistas que mantêm as ações na data predeterminada poderão receber o dividendo. Para isso, existem quatro datas-chave na cobrança do dividendo.

  • Data do anúncio do dividendo: É a data em que o conselho de administração da empresa declara o dividendo. A declaração deve incluir o valor e a forma do dividendo, bem como a data de registo e a data de pagamento do mesmo. Uma vez que a empresa tenha declarado oficialmente um dividendo, tem a obrigação legal de cumprir com ele.
  • Data de registo: Ao anunciar um dividendo, a empresa estabelece uma data de registo. Esta data determina quem são os acionistas naquele momento, e portanto quem tem direito a receber o dividendo. Todos os acionistas que estiverem registados como tal na data de registo receberão o dividendo.
  • Data ex-dividendo: Uma vez que a empresa estabeleceu a data de registo, é estabelecida a data de corte de acordo com as regras do mercado (geralmente o dia anterior à data de registo). A partir desta data já não se tem o direito de receber o dividendo.
  • Data de pagamento: A data de pagamento é marcada pela empresa para realizar o pagamento do dividendo declarado. Apenas os acionistas que o sejam antes da data ex-dividendo têm direito ao seu recebimento.

Que direitos conferem as ações?

Uma ação é uma parte do capital de uma empresa, o que confere ao acionista dois tipos de direitos:

  • Direitos políticos: votos nas assembleias.
  • Direitos económicos: participação nos lucros da empresa, e é precisamente a representação destes direitos económicos que se conhece como dividendos.

Existe algum mínimo para receber dividendos?

Em regra, não existe um número mínimo de ações para receber dividendos.

Quem detiver uma ação com direito a dividendo poderá receber o montante correspondente, depois de aplicados os impostos, comissões ou arredondamentos eventualmente previstos.

Os direitos políticos podem seguir regras diferentes, algumas empresas podem exigir um número mínimo de ações para participar diretamente numa Assembleia Geral ou exercer determinados direitos de voto.

Quando estão em causa aumentos de capital, a atribuição de novas ações não deve ser automaticamente confundida com uma remuneração, caso o acionista não participe numa emissão, a sua percentagem no capital da empresa poderá diminuir.

Conceitos fundamentais no investimento em dividendos

Para investir em dividendos é necessário conhecer minimamente alguns conceitos financeiros para poder determinar se a empresa na qual se vai investir é uma boa opção. Assim sendo, dois parâmetros fundamentais são a rentabilidade por dividendo e o Payout.

  • A rentabilidade por dividendo ou RPD: determina a rentabilidade que o investidor recebe através do pagamento do dividendo. Calcula-se como a divisão entre o dividendo por ação que uma empresa distribui anualmente e o preço pago pela ação. É comparável à TIR dos títulos.
  • O Payout determina a quantidade de lucro destinada ao pagamento do dividendo. Expressa-se geralmente em percentagem e é o quociente entre o dividendo por ação e o lucro por ação.

👉 No entanto, estes são apenas dois rácios do mundo dos dividendos, ficariam por ver muitos outros baseados nos estados financeiros das empresas, pelo que recomendamos a leitura do seguinte artigo: Análise fundamental em bolsa

Como investir em dividendos?

Chegamos agora a uma das partes mais importantes deste guia: como começar a investir em dividendos na prática?

saco de dividendos

Bem, quando se fala de investimento em dividendos, este está sempre associado à criação de uma carteira de ações individuais pelo investidor.

Isto deve-se ao facto de a estratégia de investimento em dividendos ter séculos de existência e, porque a única forma de investir, independentemente da estratégia, era comprar as ações individualmente. Mas hoje em dia, o setor financeiro evoluiu e oferece outras alternativas. Vejamo-las!

Ações

Neste caso, o investidor seleciona diretamente as empresas e compra as respetivas ações através de uma corretora. Esta abordagem permite decidir:

  • Que empresas integram a carteira;
  • Quantas posições serão detidas;
  • O peso atribuído a cada empresa;
  • Quando comprar;
  • Quando vender;
  • Como reinvestir os dividendos.

Se pretende investir diretamente em ações, pode fazê-lo através de uma corretora que disponibilize acesso aos mercados onde estas empresas estão cotadas, como a XTB.

A principal vantagem é o controlo total sobre a carteira, em contrapartida, exige tempo, conhecimento de análise financeira e capacidade para acompanhar as empresas. O investidor também deve estar preparado para lidar com a volatilidade e com eventuais cortes nos dividendos.

👉 Como receber dividendos todos os meses?

Fundos de investimento

Existem fundos de investimento cuja estratégia se centra em empresas que distribuem dividendos.

O procedimento para estes fundos é o seguinte

  • Um gestor de fundos profissional cria e gere uma carteira de empresas que pagam dividendos de acordo com os seus critérios de seleção.
  • O fundo acumula os dividendos obtidos e, de acordo com a sua filosofia, distribui-os periodicamente (geralmente uma vez por trimestre ou semestre) aos participantes do fundo. Muitos deles oferecem a possibilidade de o participante reinvestir os dividendos no fundo. Estes fundos são designados por fundos de acumulação.

Fundos de distribuição

Pagam periodicamente rendimentos aos participantes.

Fundos de acumulação

Reinvestem os rendimentos no próprio fundo.

Os fundos de acumulação podem ser utilizados por quem pretende beneficiar da capitalização dos rendimentos sem os receber diretamente. Contudo, o tratamento fiscal depende da estrutura e do domicílio do fundo.

As principais limitações dos fundos incluem:

  • Comissões de gestão;
  • Eventuais comissões de subscrição ou resgate;
  • Menor controlo sobre a carteira;
  • Possível desalinhamento entre a estratégia do fundo e os objetivos do investidor.

ETFs

Os Exchange-Traded Funds, ou ETFs, são fundos negociados em bolsa.

Permitem obter exposição a um conjunto de empresas através de um único instrumento e podem ser comprados ou vendidos durante o horário do mercado, o funcionamento dos ETFs de dividendos é semelhante ao dos fundos tradicionais: o ETF recebe os dividendos das empresas que compõem a carteira.

Dependendo da política seguida, pode distribuir os dividendos aos investidores ou reinvesti-los no próprio fundo.

  • ETF de distribuição: Entrega os rendimentos aos participantes, com uma periodicidade que pode ser mensal, trimestral, semestral ou anual.
  • ETF de acumulação: Reinveste os dividendos, aumentando o valor do património do fundo.

ETF

ISIN

Política

SPDR S&P US Dividend Aristocrats UCITS ETF

IE00B6YX5D40

Distribuição trimestral

JPMorgan Global Equity Premium Income Active UCITS ETF

IE0003UVYC20

Distribuição mensal

Vanguard FTSE All-World High Dividend Yield UCITS ETF Distributing

IE00B8GKDB10

Distribuição trimestral

iShares MSCI World Quality Dividend Advanced UCITS ETF

IE00BKPSFC54

Acumulação

WisdomTree Global Quality Dividend Growth UCITS ETF Dist

IE00BZ56RN96

Distribuição trimestral

A designação, o ticker, a moeda de negociação, a bolsa e a disponibilidade de cada ETF podem variar consoante o intermediário utilizado.

CEFs

E, finalmente, um pouco mais desconhecidos do investidor médio, os Closed End Funds (CEF) são um excelente veículo de investimento para obter dividendos, uma vez que têm uma filosofia de pagamento de dividendos muito forte e uma rentabilidade elevada (8-10%). No entanto, podem gerar uma maior volatilidade, rendimentos totais mais baixos ou um crescimento dos dividendos menos previsível do que as ações.

Um CEF é um fundo fechado. É um tipo de fundo de investimento que emite um número específico de acções através de uma oferta pública inicial (IPO), de forma a angariar fundos para fazer os seus primeiros investimentos. Uma vez adquiridas, estas ações podem ser transacionadas, mas não são criadas novas ações nem é acrescentado novo capital ao fundo.

Em contrapartida, um fundo aberto, como a maioria dos fundos de investimento e ETF, permite um fluxo constante de novos capitais. Emite novas ações e recompra as existentes de acordo com a procura dos investidores.

Tal como no caso dos fundos de investimento, existe também um gestor que cria, gere e administra o fundo. Mas esta carteira pode ser composta por diferentes activos (ações, obrigações, numerário ou criptomoedas) e tem normalmente um certo grau de alavancagem. Além disso, geralmente têm taxas mais altas do que os fundos mútuos e ETFs.

Por outro lado, os CEFs podem fazer distribuições aos seus acionistas a partir de três fontes: juros e dividendos, mais-valias realizadas e rendimento de capital (ou seja, o dinheiro utilizado para pagar a distribuição provém dos activos do fundo e não do rendimento gerado pelos investimentos do fundo).

Alguns dos CEFs mais reconhecidos:

  • Invesco Dynamic Credit Opportunity Fund
  • Guggenheim Strategic Opportunities Fund
  • Nuveen Real Estate Income Fund
  • Eaton Vance Tax-Advantaged Global Dividend Income Fund

Quais são as melhores estratégias para investir em dividendos?

O investimento em dividendos “fundamental” procura obter o dinheiro proveniente do dividendo, deixando em segundo lugar a valorização da ação.

Mas existem outras correntes de investimento onde se dá prioridade à valorização da ação e utilizam o dividendo como um parâmetro de qualidade na hora de selecionar as ações para a carteira.

Vamos ver quatro das estratégias mais famosas que existem:

Dividend Growth Investing

O investimento em dividendos crescentes é uma estratégia de investimento de valorização dos ativos. Mas focam-se em empresas que regularmente aumentam a quantidade de dividendos que pagam aos seus acionistas.

Esta estratégia baseia-se na premissa de que as empresas que podem aumentar seus dividendos ano após ano estão bem geridas e têm um bom desempenho financeiro.

Ao investir em ações de empresas com dividendos crescentes, os investidores podem beneficiar de um fluxo de rendimentos estável e cada vez maior ao longo do tempo, o que pode proporcionar um retorno atraente a longo prazo nos seus investimentos.

Dividend Value Strategy

Esta estratégia de investimento foi criada pela “Dama dos Dividendos”, Geraldine Weiss, conhecida como a “Dama dos Dividendos”, esta abordagem procura selecionar empresas com características financeiras consideradas sólidas e com um histórico de dividendos consistentes.

Depois de identificadas essas empresas, procura comprá-las quando a sua rentabilidade por dividendo (RPD) se encontra em níveis historicamente elevados e vendê-las quando a RPD atinge mínimos históricos.

Ao longo dos anos, esta estratégia apresentou, em alguns períodos, um desempenho superior ao do índice S&P 500. No entanto, o desempenho passado não constitui uma garantia de resultados futuros.

Dogs of the Dow

A estratégia Dogs of the Dow seleciona, no início de cada ano, as dez empresas do índice Dow Jones Industrial Average com maior rentabilidade por dividendo.

A carteira é normalmente mantida durante um ano e revista no início do período seguinte, a lógica é que uma rentabilidade elevada poderá identificar empresas temporariamente desvalorizadas.

A estratégia superou o índice em alguns períodos e ficou abaixo noutros. Os resultados dependem do ciclo económico, dos setores representados e da evolução das empresas selecionadas.

Dogs of the Dow

Dividend Aristocrats

Os Dividend Aristocrats, ou aristocratas do dividendo são empresas que demonstraram um longo e estável histórico de aumento dos pagamentos de dividendos ao longo do tempo. Estas empresas costumam ser de elevada qualidade e são consideradas investimentos defensivos porque podem fornecer uma fonte constante de rendimento para os investidores através dos pagamentos de dividendos.

Para se qualificar como um aristocrata do dividendo, uma empresa deve cumprir certos requisitos, como ter um histórico de pelo menos 25 anos de aumentos anuais do dividendo (na Europa consideram-se 10 anos sem corte do dividendo) e ter uma capitalização de mercado mínima. Estas empresas também costumam ter um fluxo de caixa estável e uma baixa dívida em relação aos seus lucros, como são os casos de Air Products & Chemicals ou Reis do dividendo

Dividend Kings

Os Dividend Kings, ou Reis do dividendo são um grupo selecto de empresas que se caracterizam por serem as que mantiveram um histórico de dividendos estável e crescente durante um período ainda mais longo que os aristocratas do dividendo. Ou seja, estas empresas pagaram dividendos e aumentaram-nos sem interrupção durante pelo menos 50 anos consecutivos.

dividend kings

Não existe um índice oficial único que determine universalmente a composição desta categoria, pelo que a lista pode variar entre fornecedores. Entre os nomes habitualmente associados encontram-se:

  • Coca-Cola;
  • Procter & Gamble;
  • Johnson & Johnson.

Empresas com maiores rentabilidades por dividendos

Chegamos agora a uma das partes mais práticas deste guia: alguns exemplos de empresas que apresentam rentabilidades por dividendo elevadas em 2026.

Importa recordar que uma rentabilidade por dividendo elevada não significa, por si só, que uma empresa seja adequada para integrar uma carteira. Além disso, este indicador varia constantemente em função da cotação da ação, pelo que é aconselhável confirmar sempre os dados mais recentes antes de tomar qualquer decisão.

Embora seja possível investir em dividendos através de fundos de investimento, ETFs ou CEFs, muitos investidores optam por construir uma carteira de ações individuais. Por esse motivo, seguem-se alguns exemplos de empresas e setores frequentemente associados a rentabilidades por dividendo elevadas:

Euro Stoxx 50

Em determinados períodos, alguns setores do Euro Stoxx 50 destacaram-se por apresentarem rentabilidades por dividendo relativamente elevadas, nomeadamente:

  • Setor automóvel: Mercedes-Benz, BMW e Stellantis;
  • Setor financeiro: ING, Intesa Sanpaolo e BNP Paribas;
  • Setor energético e industrial: Enel, Eni e BASF.

S&P 500

Entre as empresas norte-americanas que, em diferentes momentos, apresentaram rentabilidades por dividendo elevadas encontram-se:

  • LyondellBasell;
  • Verizon Communications;
  • Altria Group.

As rentabilidades por dividendo variam ao longo do tempo e dependem da evolução da cotação, da política de distribuição de cada empresa e dos resultados obtidos. Por esse motivo, estes exemplos têm caráter meramente informativo e não constituem uma recomendação de investimento.

Corretoras para investir em dividendos

Escolher uma boa corretora é tão, ou mais importante, do que selecionar as empresas que compõem a carteira. Por isso, a seguir passamos a detalhar quais deveriam ser as características de uma boa corretora para investir em dividendos.

Para o investimento por dividendos deve ter estas qualidades:

  • Fiabilidade e solidez financeira: É fundamental escolher uma corretora com uma reputação sólida no mercado e que esteja devidamente regulada por organismos financeiros competentes.
  • Comissões baixas: Para maximizar os retornos dos dividendos, é importante escolher uma corretora que ofereça comissões operacionais baixas.
  • Comissões zero: E da mesma forma, é fundamental que não tenha comissões de custódia de ações e de cobrança de dividendos.
  • Variedade de produtos e mercados: É importante que a corretora ofereça uma ampla gama de ações de empresas que pagam dividendos, bem como acesso a diferentes mercados financeiros internacionais.
  • Atendimento ao cliente eficiente: É importante ter uma equipa de atendimento ao cliente que esteja disponível para resolver dúvidas ou problemas de forma rápida e eficiente.

Seguem-se algumas alternativas disponíveis em Portugal:

XTB

🏛️ Regulação: supervisionada pela KNF (Polónia) e registada na CMVM para a prestação de serviços de investimento em Portugal.

💼 Instrumentos financeiros: milhares de ações e ETFs reais, além de outros instrumentos financeiros, com acesso aos principais mercados da Europa e dos Estados Unidos.

💶 Comissões:

  • Compra e venda de ações e ETFs: 0% de comissão até 100.000 € de volume negociado por mês (acima deste limite aplica-se a tabela de comissões em vigor).
  • Recebimento de dividendos: 0 €.
  • Custódia de ações e ETFs: 0 €.
  • Conversão cambial: 0,5%, quando aplicável.
Cartão de pagamento
ligado a uma eWallet
Pagamento de juros
sobre fundos não investidos
Comissões 0€
Ações e ETFs

Trade Republic

🏛️ Regulação: supervisionada pela BaFin (Alemanha) e pelo Deutsche Bundesbank.

💼 Instrumentos financeiros: ações e ETFs cotados nos mercados da Europa, Estados Unidos e Reino Unido.

💶 Comissões:

  • Compra e venda de ações e ETFs: 1 € de taxa de liquidação por ordem executada.
  • Planos de investimento (Savings Plans): sem taxa de execução.
  • Recebimento de dividendos: 0 €.
  • Custódia: 0 €.
Planos automáticos sem comissão
em ações e ETFs
3% de juros sobre o saldo
para novos clientes, até 50.000 €
Comissão fixa de 1 €
por operação em todos os produtos

Lightyear

🏛️ Regulação: supervisionada pela Financial Conduct Authority (FCA), no Reino Unido, e pela Autoridade de Supervisão Financeira da Estónia (EFSA) para clientes da União Europeia.

💼 Instrumentos financeiros: ações e ETFs cotados nos mercados da Europa, Estados Unidos e Reino Unido.

💶 Comissões:

  • Compra e venda de ações e ETFs: 1 € de taxa de liquidação por ordem executada.
  • Planos de investimento (Savings Plans): sem taxa de execução.
  • Recebimento de dividendos: 0 €.Custódia: 0 €.
ETFs sem comissões
e planos automáticos disponíveis
Sem depósito mínimo
com abertura de conta simples
Comissões reduzidas em ações
0.1% (min. 1$), 1€ ou 1£ por ordem

Carteiras de dividendos geridas profissionalmente

Embora muitos investidores optem por construir a sua própria carteira, existem também soluções geridas por profissionais. Estas podem assumir a forma de fundos de investimento, ETFs ativos, serviços de gestão discricionária, carteiras modelo ou outros produtos financeiros.

Nestes casos, a equipa de gestão fica responsável por selecionar os ativos, acompanhar os resultados das empresas, avaliar a sustentabilidade dos dividendos e ajustar a composição da carteira sempre que considere necessário.

Esta abordagem pode ser útil para quem prefere delegar as decisões de investimento. Em contrapartida, implica normalmente custos de gestão, menor controlo sobre a carteira e dependência da estratégia definida pelo gestor.

Antes de contratar uma solução deste tipo, é importante analisar a política de investimento, o nível de risco, os custos totais, o histórico da gestão, a composição da carteira e as condições de subscrição e resgate. Também deve ser consultado o documento de informação fundamental do produto.

Erros a evitar ao investir em dividendos

Este é um aspeto que muitas vezes passa despercebido, mas não deve ser ignorado. Quando se investe em dividendos, é comum falar-se de planeamento financeiro de longo prazo, crescimento do património e definição de objetivos. No entanto, na prática, é fácil deixar que as emoções influenciem as decisões e cometer alguns erros frequentes.

Assim sendo, agora que já estão introduzidos, explicamos os erros mais comuns, para que os possa evitar:

Erro #1: apenas focar-se na rentabilidade por dividendo

É o erro mais fácil em que cair e por isso é o erro mais falado no investimento por dividendos. É lógico, ao iniciar-se no investimento por dividendo o investidor quer receber a maior quantidade de dividendos no menor tempo possível. Isso leva a focar-se em empresas com uma alta rentabilidade por dividendo.

Em geral, uma alta rentabilidade por dividendos pode indicar que a empresa está a passar por um mau momento (temporário ou permanente) e o dividendo pode estar em perigo. Mas também existem empresas com altas rentabilidades por dividendo cujo dividendo não está em perigo.

Então, como detectar se a empresa tem uma elevada rentabilidade por dividendo? Um truque rápido é comparando-a com a sua rentabilidade por dividendo histórica. Aqui deixo-te uma pequena lista de algumas empresas típicas no investimento por dividendos.

Erro #2: sustentabilidade do dividendo

Muitos investidores novatos na investimento por dividendos cometem o erro de não investigar adequadamente as empresas nas quais vão investir. É importante investigar a saúde financeira da empresa, o seu histórico de dividendos e sua sustentabilidade, sua posição no mercado e outros fatores relevantes antes de tomar uma decisão de investimento.

Para resolver isso, é necessário aprender a linguagem financeira das empresas e assim poder conhecer como o dividendo é pago (se com lucros ou com dívida) e poder tomar uma decisão de investir nessa empresa ou, pelo contrário, descartá-la.

A ter em conta os rácios financeiros Payout e Payout de Fluxo de Caixa Livre para poder determinar como o dividendo está a ser pago.

Erro #3: não diversificar adequadamente

Um dos erros mais comuns é investir todo o dinheiro numa única ação, ou concentrar a carteira num único setor ou numa única zona geográfica.

Apesar de se ter realizado uma excelente análise da empresa e de o dividendo ser sustentável, é necessário e fundamental diversificar a carteira de investimento. Com isso, procura-se reduzir o risco intrínseco da empresa, como um percalço temporário da empresa ou que a diretoria decida realizar mudanças na filosofia do dividendo (suspendê-lo ou cancelá-lo).

Ao diversificar, aumentam-se as possibilidades de obter bons rendimentos a longo prazo, reduzindo a exposição da carteira a apenas uma ou várias empresas.

Erro #4: ser impaciente

O investimento baseado em dividendos é uma estratégia de investimento a longo prazo que exige perseverança e constância. Frequentemente, os investidores inexperientes abandonam esta estratégia por não verem resultados imediatos e optam por seguir as tendências de investimento do momento. No entanto, mudar constantemente de estratégia pode resultar em perdas significativas, já que geralmente o investidor sai da estratégia de dividendos em perdas para uma estratégia na qual talvez seja tarde para obter benefícios.

Mesmo sem mudar de estratégia, assim que ocorre uma oscilação importante na cotação, o investidor novato fica em dúvida se deve vendê-las. Seja para reduzir a sangria da perda de capital ou, pelo contrário, recolher os ganhos da venda, que às vezes equivalem a vários anos de dividendos.

Diante desses dilemas, é fundamental ter tomado essas decisões antes que ocorram criando um plano de investimento. Assim, o elemento emocional está fora da tomada de decisão. Mas é importante ter em conta que o valor dos investimentos pode flutuar no curto prazo, mas que a longo prazo as empresas sólidas tendem a aumentar os dividendos e a cotação. É necessário por parte do investidor tomar essa decisão.

Erro #5: não ter em conta os impostos

Ao investir em dividendos, muitos investidores negligenciam a importância de considerar a carga fiscal associada a estes rendimentos. Este é um erro que pode reduzir significativamente a rentabilidade do investimento. Em Portugal, a tributação dos dividendos segue regras específicas que variam conforme a origem dos dividendos e o tipo de intermediário financeiro utilizado.

Os dividendos distribuídos por empresas nacionais estão sujeitos a uma taxa liberatória de 28%. Esta taxa é retida automaticamente pelo banco ou corretora no momento do pagamento, sendo o valor correspondente entregue ao Estado. Assim, o investidor não precisa declarar estes rendimentos no IRS se o intermediário financeiro tiver sede em Portugal.

No entanto, se os dividendos forem provenientes de ações cotadas no estrangeiro, e o intermediário financeiro também tiver sede em Portugal, os dividendos estarão sujeitos à retenção na fonte tanto no país de origem como em Portugal. Neste caso, pode ser vantajoso declarar os dividendos no anexo J da declaração de IRS, para evitar a dupla tributação e eventualmente recuperar parte do imposto retido no estrangeiro, através do mecanismo de crédito de imposto por dupla tributação internacional.

Se o intermediário financeiro não tiver sede em Portugal, o investidor é obrigado a declarar os dividendos no IRS, preenchendo o anexo J com os valores recebidos e os impostos retidos no exterior. Embora a taxa efetiva de tributação nunca seja inferior a 28%, a correta declaração pode evitar pagar mais do que o necessário.

Adicionalmente, existe a opção de englobar os dividendos com outros rendimentos sujeitos a IRS. Esta opção pode ser vantajosa se o rendimento coletável total for baixo, ou se houver menos-valias de anos anteriores que possam ser compensadas. No entanto, é importante notar que a opção pelo englobamento implica que todos os rendimentos da mesma categoria sejam igualmente englobados, o que pode não ser benéfico em todos os casos.

Erro #6: não rever regularmente a carteira de investimento

Dentro do plano de investimento é importante fazer um acompanhamento da evolução das empresas nas quais se investe e ajustar a carteira conforme necessário. Estas são algumas das ações mais destacadas:

  • Manter um registo da compra-venda de ações, dos dividendos recebidos e do impacto fiscal na carteira.
  • Determinar se a empresa deve continuar na carteira, através da atualização dos seus relatórios financeiros.
  • Diversificar entre ações para evitar que uma ou várias empresas tenham um peso excessivo na carteira.

Erro #7: não ter um plano de investimento

O erro que engloba todos os outros erros comentados: investir sem um plano claro em mente. Dado que esta estratégia requer muito tempo e paciência, é importante estabelecer metas de investimento, prazos de investimento e estratégias de gestão de riscos a curto, médio e longo prazo.

Os objetivos a curto prazo ajudam a manter a motivação para continuar com a estratégia. Os objetivos a médio prazo permitem medir como evolui a carteira e, se necessário, realizar ajustes caso a estratégia não se comporte como desejado.

Se ainda não tens definido um plano de investimento, aqui deixo algumas dicas de como deve ser o teu plano de investimento.

  • Objetivos claros: Definir claramente os teus objetivos financeiros e o propósito do investimento.
  • Horizonte temporal: Determinar quanto tempo estás disposto a investir antes de retirar o teu dinheiro.
  • Tolerância ao risco: Avaliar quanto risco estás disposto a assumir nos teus investimentos e ajustar a tua carteira em conformidade.
  • Diversificação: Distribuir os teus investimentos em diferentes ativos para reduzir o risco.
  • Estratégia de investimento: Estabelecer um plano de ação específico para como investir e monitorizar os teus investimentos.
  • Revisão e ajuste: Estabelecer um processo regular para rever o teu plano de investimento e ajustá-lo conforme necessário.
  • Profissionalismo: Se não tens experiência em investimentos, considera procurar aconselhamento financeiro de um profissional qualificado.

Qual é a relação entre a cotação de uma ação e os seus dividendos?

Na data ex-dividendo, é normal que a cotação seja ajustada por um valor próximo do dividendo bruto.

Imagine que uma ação encerra a sessão a 12,20 euros e passa a negociar sem direito a um dividendo de 0,20 euros. Na ausência de outros fatores, o preço teórico de abertura seria próximo de 12 euros.

Na prática, a cotação poderá abrir acima ou abaixo desse valor devido a:

  • Notícias;
  • Evolução do mercado;
  • Resultados empresariais;
  • Alterações nas taxas de juro;
  • Oferta e procura.

O investidor não recebe dinheiro “gratuito”: parte do valor que estava dentro da empresa é transferida para o acionista, por esse motivo, comprar uma ação pouco antes do dividendo e vendê-la imediatamente depois não garante um ganho. Além disso, devem ser considerados os impostos, as comissões e a evolução efetiva da cotação.

Como são tributados os dividendos? Tudo o que precisa de saber

Os dividendos são tributados na Declaração de Rendimentos como rendimentos de capital mobiliário na base tributável da Declaração de Rendimentos, ou seja, são tributados a 28%.

No entanto, é muito importante ter em conta se investimos em empresas portuguesas ou estrangeiras – que será muito fácil – para evitar a armadilha fiscal da dupla tributação.

Na verdade, isto é conhecido como retenção na fonte. No final das contas, quando se investe em empresas que estão cotadas fora do nosso país, tributa-se uma parte do dividendo no país de origem. O montante do imposto varia entre países, mas em geral os governos têm acordos bilaterais para que não exceda 15%. Este imposto pode ser recuperado na declaração de rendimentos.

👉 Se quiser saber mais sobre a tributação dos dividendos, pode ler: Como declarar os investimentos no IRS

Vale a pena investir em dividendos?

O investimento em dividendos pode ser utilizado por quem procura receber rendimentos periódicos e construir uma carteira com uma perspetiva de longo prazo. No entanto, não deixa de estar sujeito às oscilações do mercado e ao risco de redução ou suspensão dos dividendos.

Antes de seguir esta estratégia, é importante colocar duas questões:

  • Tenho tempo suficiente para analisar e acompanhar uma carteira de ações?
  • Estou disposto a aprender os principais conceitos financeiros necessários para avaliar empresas?

Quem prefere selecionar diretamente ações ou CEFs deverá acompanhar os resultados, o endividamento, o fluxo de caixa e a sustentabilidade dos dividendos. Também terá de definir critérios de compra e venda e manter disciplina perante a volatilidade dos mercados.

Quem não pretende assumir esta gestão pode analisar fundos de investimento ou ETFs orientados para dividendos. Nesse caso, é importante perceber se a política do produto, os custos e o nível de risco estão alinhados com os seus objetivos.

Vantagens e desvantagens de aplicar uma estratégia de investimento em dividendos

Como todo o investimento tem os seus prós e contras, vamos descrever na seguinte tabela as vantagens e desvantagens de investir em empresas com dividendos:

Em qualquer caso, o objetivo não deve ser procurar apenas as empresas com maior rentabilidade por dividendo, é mais importante avaliar se o negócio tem capacidade para gerar resultados e manter a distribuição ao longo do tempo.

Se pretende identificar empresas que distribuem dividendos elevados, pode recorrer a um stock screener. Estas ferramentas permitem filtrar e comparar ações com base em diversos critérios, incluindo a rentabilidade por dividendo, o payout, a capitalização bolsista, o setor de atividade e outros indicadores financeiros.

Disclaimer:

Lightyear: A prestação de serviços de investimento é assegurada pela Lightyear Europe AS. Aplicam-se os termos: lightyear.com/terms. Consulte um profissional qualificado, caso tenha dúvidas. Capital em risco.

Podem aplicar-se outras comissões.

RANKIA PORTUGAL: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, nem recomendação de compra ou venda de quaisquer instrumentos financeiros. A rentabilidade passada não garante retornos futuros. Antes de tomar decisões de investimento, recomenda-se a consulta de um profissional devidamente habilitado.

Trade Republic: Investir em ações envolve o risco de perda do seu dinheiro. Invista de forma responsável.

XTB: Negociar envolve riscos e poderá perder parte ou todo o seu capital investido. As informações fornecidas têm fins meramente informativos e educativos e não representam qualquer tipo de aconselhamento financeiro e/ou recomendação de investimento.

Os CFDs são instrumentos complexos e apresentam um alto risco de perda rápida de dinheiro devido à alavancagem. 75% das contas de investidores de retalho perdem dinheiro ao negociar CFDs com este fornecedor. Deve considerar se compreende como os CFDs funcionam e se pode correr o alto risco de perder o seu dinheiro.

Investir é arriscado. Invista com responsabilidade.

Ler mais tarde - Preencha o formulário para guardar o artigo como PDF

Ações e ETFs sem comissões
até 100.000 € e cartão multimoeda
ETFs sem comissões
e planos pré-definidos para todos os perfis
Planos de poupança automáticos
e conta remunerada

Artigos Relacionados

A OpenAI poderá preparar a sua entrada em bolsa para setembro de 2026, com uma avaliação estimada de 1 bilião de dólares. No entanto, ainda não existe uma data oficial nem um prospeto S-1 registado publicame...