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O que á a análise fundamental?

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A análise fundamental é uma metodologia de avaliação de ativos financeiros que se concentra em fatores macro-económicos, como a saúde geral da economia, e fatores micro-econômicos, como a gestão de uma empresa específica. Este artigo explorará a fundo o conceito de análise fundamental, as suas técnicas, e como pode ser aplicada na tomada de decisões de investimento.

Através desta abordagem, os investidores podem avaliar o valor intrínseco de um ativo e, assim, identificar oportunidades de investimento promissoras. Mergulharemos neste mundo de análise financeira para entender melhor o que é a análise fundamental e como pode melhorar as suas estratégias de investimento.

O que é a análise fundamental?

A análise fundamental é um tipo de análise do mercado de ações cujo principal objetivo é ser um instrumento para determinar um título ou ação. Para tal, é utilizada uma série de variáveis para estabelecer o preço e assim determinar a viabilidade do investimento.

Este tipo de análise foi criado no final do século XIX pelo economista e jornalista Charles-Henry Dow, conhecido por ser o criador de dois índices bolsistas: o índice Dow Jones Railroad Average, composto por 22 empresas do setor dos transportes e o índice Dow Jones Industrial Average, composto por 30 empresas de diferentes setores; este último é conhecido como um dos arquitetos da análise fundamental.

Como funciona a análise fundamental?

A análise fundamental centra-se nos seguintes aspetos:

  • Preço da ação, o valor pelo qual uma ação é vendida no mercado de capitais;
  • Volume da bolsa de valores, entendido como o número de ações ou ativos negociados numa determinada bolsa, ou mercado de valores;
  • Open interest, sendo um conceito aplicado à negociação de contratos de futuros na bolsa de valores, ou seja, o número de contratos que permanecem abertos do ponto de vista ascendente num determinado mercado.

De onde parte a análise fundamental?

Vejamos de que componentes contabilísticas da empresa parte a informação fundamental, que posteriormente utilizaremosusaremos para elaborar as nossas análises:

Balanço

O balanço de situação de uma empresa, também conhecido como Estado de Situação Financeira, é um relatório financeiro que mostra a situação financeira de uma empresa num momento específico. Fornece informações sobre os ativos, passivos e o património da empresa.

O Balanço de uma empresa oferece diversas variáveis-chave para a análise fundamental.

Podem ser diferenciados vários subtipos:

  • Valor contabilístico;
  • Valor contabilístico ajustado;
  • Solvência;
  • Rácio de liquidez;
  • Rácio de endividamento.

Demonstração de resultados

A Demonstração de resultados, também conhecida como Estado de Resultados ou Estado de Perdas e Ganhos, é um relatório financeiro que mostra as receitas, as despesas e o lucro ou prejuízo de uma empresa durante um período de tempo específico.

A Demonstração de resultados fornece informações-chave para a análise fundamental de uma empresa. Algumas das variáveis importantes que podem ser obtidas da mesma são:

  • Vendas;
  • Benefícios;
  • Margem Bruta;
  • EBITDA;.
  • Outros múltiplos.

Fluxos de caixa

A demonstração de fluxos de caixa é um relatório financeiro que mostra as entradas e saídas de caixa de uma empresa durante um período de tempo específico. Fornece informações sobre como o caixa é gerado e utilizado nas atividades operacionais, de investimento e de financiamento.

Na demonstração de fluxos de caixa, podem ser encontradas diversas variáveis importantes:

  • Fluxo de caixa das atividades operacionais;.
  • Fluxo de caixa das atividades de investimento;.
  • Fluxo de caixa das atividades de financiamento;.
  • Mudança líquida em caixa.

Como avaliar empresas?

Assim, como já adiantamos no tópico anterior, uma vez que extraímos as informações mais interessantes. O que fazemos com elas? Como as avaliar? Vamos ver: 

Rácios de endividamento

Os rácios de endividamento determinam quequal parte dos ativos de uma empresa é financiada através da dívida, ou seja, medem o montante da dívida de uma empresa e a capacidade da organização para fazer frente a ela.

 Em outras palavras, os indicadores de endividamento calculam a proporção ou o grau de participação do capital de fornecedores e credores nos ativos da empresa, e a disposição da empresa para pagar as suas dívidas com os seus ativos. Portanto:

  •  Um índice de endividamento maior que 1.0 ou 100% indica que a empresa tem mais dívidas do que ativos.
  • Enquanto um índice de dívida inferior a 1.0 ou 100% indica que a entidade tem mais ativos do que dívidas.

 A importância dos índices de endividamento reside no facto de que são indicadores confiáveis calculados com base em dados quantitativos que revelam a saúde financeira da empresa, bem como a estabilidade e sustentabilidade do negócio a médio e longo prazo.

Além disso, os investidores utilizam esses índices para determinar o nível de risco e garantir que a empresa seja solvente, possa cumprir com as obrigações financeiras atuais e futuras e possa gerar um retorno sobre o seu investimento.

 Deixo-vos com os principais indicadores de endividamento ou solvência:

  • Passivo total (recursos alheios) / Ativo total
  • Passivo total (recursos alheios) / Património líquido
  • Dívida bancária / Património líquido
  • Dívida bancária / (Património líquido + Dívida bancária)

 👉 Mais informações: Como avaliar o índice de endividamento de uma empresa?

Índices de rentabilidade

Os índices de rentabilidade são cálculos matemáticos que nos ajudam a saber se uma empresa está a ganhar o suficiente para poder arcar com os seus custos e ainda gerar lucros para seus proprietários.

 Nem um negócio existem custos muito diferentes a serem atendidos: custos com pessoal, pagamento de impostos, amortizações, juros bancários, etc. Por isso, pode acontecer que uma empresa seja rentável numa determinada área, mas tenha prejuízos em outra.

Precisamente por isso existem vários índices de rentabilidade. E são exatamente esses que, permitem comparar os resultados da empresa em diferentes partidas de lucro ou prejuízo:

  • Rácio de Capital Próprio;
  • Rácio de Rentabilidade de Vendas;
  • Rácio de Rentabilidade Geral;
  • Rácio de Rentabilidade do Capital Total.

 Rácios de valorização

O rácio de valorização é uma medida de avaliação da qualidade da gestão ou desempenhoperformance de uma carteira de valores e é definido como o coeficiente alfa por unidade de risco próprio ou específico:

  1. P/E (Price-Earnings Ratio)
  2. P/B (Price to Book Value)
  3. P/V (Price to Sales)
  4. P/CF (Price to Cash Flow)
  5. Fator rentabilidade-dividendo (Ddividend Yyield)
  6. Crescimento futuro de lucros a longo prazo
  7. Crescimento histórico de lucros
  8. Crescimento histórico de vendas
  9. Crescimento de fluxos de caixa
  10. Crescimento valor em livros

 👉 Esta informação pode ser bastante densa, então para aprofundar o seu conhecimento, recomendo que visite o nosso próximo artigo: Guia completo sobre como analisar uma empresa

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Que dados são utilizados ​​para análise fundamental?

A mais popular dessas análises é a análise fundamental de ações. Para isso, dois tipos de dados precisam de ser considerados:

  1. Dados microeconómicos: são dados que se referem à própria empresa, como PERCashFlowEBITDAdividendosvalor contábil, ou dados que dizem respeito direta e individualmente à empresa em estudo.
  2. Dados macroeconómicos: dados relativos à situação económica global, por exemplo, taxa de desemprego; licenças de construção; PIB; vendas a retalho.

Quanto aos melhores dados microeconómicos, encontrará os seguintes indicadores de análise fundamental:

  • O PER (Price to Earnings Ratio) indica quantas vezes o preço de uma ação contém o lucro anual (ou fluxo de caixa) correspondente a essa mesma ação. Permite verificar se o preço de uma ação é superior ou inferior ao seu valor intrínseco.

PER= P/EPS

  • O lucro por ação (EPS) indica o lucro em euros que cada ação deu naquele ano; é calculado dividindo-se o lucro líquido da empresa pelo número de ações. Portanto, quanto maior o lucro por ação, menor o PER , o que significa que será muito mais atrativo investir na mesma. Um PER de 4 indica que o investimento será pago em 4 anos, portanto, quanto menor, melhor.

A relação Price to Book Value ( PVC ) ou “preço a valor contabilístico ” mede a relação entre o preço da ação e o valor patrimonial (não leva em consideração o conceito de rentabilidade).

PVC = Preço por ação / Património líquido por ação

PVC = Capitalização de mercado / Património líquido

Por outras palavras, se esse índice for menor que a unidade, o preço das ações de uma empresa é menor que seu valor intrínseco, portanto, seria aconselhável comprar. Portanto, diferentemente do PER , quanto menor o índice, melhor para o investidor.

demonstração de resultados de uma empresa é o documento que relata a situação financeira da empresa (se está no lucro ou prejuízo e as causas do resultado). Para o seu cálculo, separam-se as diferentes receitas e despesas e distinguem-se duas partes:

  • Lucro operacional: é calculado como a diferença entre a receita de vendas (líquida de devoluções e descontos) e as despesas operacionais.
  • Resultado financeiro: obtido pelo cálculo da diferença entre receitas e despesas financeiras.

Os dados mais importantes da demonstração de resultados são os seguintes:

  1. Receitas (vendas de bens e serviços);
  2. Lucro operacional bruto ( EBITDA , ou em inglês, uma medida da capacidade de obter rendimento para reinvestir no próprio negócio);
  3. Lucro operacional ( EBIT , ou EBITDA líquido de provisões e depreciações);
  4. Lucro bruto (lucro operacional mais outras receitas financeiras e extraordinárias);
  5. Lucro líquido (lucro bruto após impostos).

O multiplicador de fluxo de caixa mede os recursos gerados por uma empresa; não inclui depreciação e provisões porque, embora sejam perdas, não geram saídas de caixa. É semelhante ao PER , pois quanto menor, mais barata será a ação.

Preço da ação / fluxo de caixa por ação

Leia ainda 👉 EBITDA: o que é e como calcular?

Métodos de análise fundamental

Continuamos com o nosso foco macro de organizar tudo relacionado com a análise fundamental. Já sabemos de onde extrair a informação, e como agrupá-la. Mas, que tipo de análise pode ser feita com tantos números e rácios? Explico-lhe a seguir:

Bottom-up

A análise bottom-up na bolsa é um foco utilizado para avaliar e selecionar ações individuais com base na análise detalhada das características e fundamentos de cada empresa. Em vez de se concentrar nos fatores macroeconómicos ou no estado geral do mercado, a análise bottom-up concentra-se no estudo das empresas de forma individual.

Ou seja, procura examinar elementos como os estados financeiros da empresa, a sua estrutura de custos, o seu modelo de negócio, a qualidade da sua gestão, os seus produtos ou serviços, a sua posição competitiva, a sua estratégia de crescimento e outros fatores específicos da empresa. O objetivo é identificar ações que se considerem subvalorizadas ou que tenham um potencial de crescimento significativo em função da sua análise fundamental.

Este estudo implica uma análise exaustiva dos relatórios financeiros, das notícias relevantes, das perspetivas da empresa e de qualquer outro dado relevante que afete o seu desempenho. Também se podem considerar aspetos qualitativos, como a reputação da empresa, a sua inovação ou a procura dos seus produtos.

👉 Mais informação: Bottom-up na bolsa: O que é?

Top-down

A análise top-down na bolsa é utilizada para tomar decisões de investimento baseando-se na análise dos fatores macroeconómicos e do estado geral do mercado, para depois selecionar as ações ou setores que se espera que se beneficiem dessas condições.

Na análise top-down, começa-se por analisar os aspetos macroeconómicos, como o crescimento económico, a inflação, as taxas de juro, as políticas governamentais e outros indicadores económicos relevantes. A partir daí, avalia-se o impacto que estes fatores podem ter em diferentes setores da economia.

Uma vez identificados os setores que se consideram promissores, realiza-se uma análise mais detalhada das empresas dentro desses setores.

A análise top-down permite que os investidores tomem decisões de investimento baseadas nas tendências e perspetivas macroeconómicas. Procura-se identificar os setores ou áreas da economia que se espera que tenham um desempenho sólido em função dos fatores macroeconómicos e, em seguida, selecionar as ações das empresas que se consideram mais promissoras dentro desses setores.

👉 Mais informações: Análise top-down – O que é?

Tipos de empresas segundo a análise fundamental

Vejamos que tipos de empresas podemos encontrar após as nossas respetivas análises:

Blue chips

As Blue Chips são valores de alta capitalização bolsista, ou seja, aquelas ações cujo valor (preço da ação x nº total de ações) é dos maiores do mercado.

Quando se fala de uma blue chip referimo-nos a uma empresa madura, que há anos é líder no seu mercado, com um balanço muito sólido e uma elevada capitalização bolsista, o que se traduz em muita liquidez (grande oferta e procura pelas suas ações) e estabilidade nos preços. Normalmente, costumam ser empresas que distribuem um dividendo estável e crescente no tempo.

O termo muda de acordo com cada mercado e não existem limites definidos. Uma vez que as blue chips seriam consideradas empresas de pequena ou média capitalização. Por exemplo, seriam empresas como a Inditex, Apple, VISA ou Coca-Cola. Ou seja, todas elas são empresas consolidadas no mercado, que estão cotadas há muitos anos, cuja capitalização bolsista é muito alta – as mais altas do mercado – e que, além disso, apresentamtêm um balanço sólido.

👉 Mais informações: Blue Chips – O que são?

Ações value

As ações value são aquelas de empresas que operam em setores maduros, normalmente defensivos e normalmente com fortes barreiras de entrada. As ações de valor são muito menos voláteis do que as ações de crescimento.

Empresas elétricas, alimentares ou de infraestruturas podem ser um exemplo de empresas compostas por ações de valor. Em geral, as empresas compostas por ações de valor costumam destinar os seus lucros para o pagamento de dividendos.

Ações  Growth

Ações de crescimento, são as ações de empresas que estão em fase de expansão e que se espera que continuem a crescer nos próximos anos. Normalmente, são ações de empresas que operam em mercados muito voláteis e com forte concorrência, como o setor tecnológico.

👉 Mais informações: Ações growth vs value

Penny stocks

Os penny stocks são ações correspondentes a empresas de pequena capitalização que negociam na bolsa, às vezes pertencentes a valores que tiveram ou têm problemas no passado, e que, portanto, podem apresentar grandes oscilações na sua cotação.

Geralmente, o seu preço está abaixo de um euro, ou é de poucos centavos, o que aumenta as variações na cotação. Por exemplo, se uma ação estiver cotada a 0,10 euros, uma variação de um centavo (0,01) representa uma oscilação de 10%.

O que é melhor? Análise técnica ou fundamental?

Vejamos de forma mais ou menos sintetizada, como temos feito ao longo de todo o artigo, em que se diferenciam cada uma das análises:

Conceitos-chave

Análise técnica

  • Considera que os fatores fundamentais (como o PIB, inflação, taxas de juros, desemprego, etc) já estão considerados (incorporados) no preço.
  • Por outro lado, o preço desconta as duas emoções básicas de todo investidor: medo e ganância, as quais não podem ser vistas nem analisadas pela análise fundamental.
  • Os padrões de preços tendem a repetir-se e, portanto, os preços anteriores podem ser utilizado para prever a tendência futura.

Análise fundamental

  • O investidor pode estudar os indicadores económicos, fatores sociais e a política do governo (fundamentos) para prever o movimento e as tendências de preços.
  • Se um investidor puder estudar a saúde relativa de cada país ou bloco comercial, então poderá determinar o valor relativo de cada ativo negociado nos mercados relacionados com esses países, como um par de moedas, ações, índices, etc.

 Objetivos-chave

Análise técnica

  • Prever a direção e o alcance das futuras mudanças de preços.
  • Refinar os pontos de entrada e saída das operações no mercado.
  • Decidir se deseja adicionar posições às operações atuais ou reduzir o tamanho destas.

Análise fundamental

  • Prever a direção-geral dos mercados a médio e longo prazo com base nos fundamentos.

Elementos-chave

Análise técnica

  • Tendências.
  • Mudanças de tendências.
  • Intervalos de preços

 Análise fundamental

  • Taxas de juros.
  • Taxas de inflação.
  • PIB.
  • Taxas de crescimento.
  • Taxas de desemprego.
  • Balança comercial e endividamento.
  • Para as ações, também é utilizada uma série de elementos diferentes baseados na análise da empresa e no seu desempenho.

Ferramentas ou fontes de análise

Análise técnica

  • Indicadores de identificação de tendências.
  • Indicadores e osciladores de identificação de intervalos de preços.
  • Gráficos de preços.
  • Padrões gráficos e linhas de tendência para identificar as tendências e os intervalos de preços

Análise fundamental

  • Dados e declarações fornecidos em discursos por economistas e políticos importantes (como o presidente de um banco central).
  • Eventos importantes no calendário económico e indicadores económicos-chave.
  • Relatórios económicos importantes.
  • Fatores económicos subjacentes.
  • No caso das ações, os trader utilizam outras fontes de dados para analisar as empresas, como as demonstrações financeiras, entre outros.

Horizonte temporal

Análise técnica

  • Dado que os padrões de preços são fractais na sua natureza, os tradersoperadores podem ver os mesmos padrões em diferentes quadros de tempo. Assim, qualquer quadro de tempo pode ser escolhido pelo trader para negociar utilizando essas ferramentas. É frequentemente utilizado para negociar nos quadros de tempo mais curtos, do tipo intradiário (5 minutos, 15 minutos, 30 minutos, 1 hora, etc).

 Análise fundamental

  • Abordagem de longo prazo (dias, semanas, meses ou anos)

Estilos de investimento

Análise técnica

  • Estratégias de daytrading e swing trading.

 Análise fundamental

  • Estratégias de swing trading, position trading, value investing…

 Principais críticas

Análise técnica

  • É visto como uma forma de magia negra sem nenhuma base real.
  • O preço nem sempre desconta tudo.
  • A hipótese do mercado eficiente (EMH).

Análise fundamental

  • Os fundamentos nem sempre são refletidos no preço.
  • Pode ser um pouco subjetivao.
  • Os fundamentos já estão levados em conta (incorporados) no preço.

👉 Mais informações: Análise técnica vs análise fundamental

👉 E agora que estamos aqui, se também quiser saber quais são os fundamentos da análise técnica, deixo-lhe o seguinte artigo, onde pode gradualmente aprofundar os conhecimentos acerca da mesma: Análise técnica – Princípios, teorias, figuras e indicadores

Investidores de filosofia value de análise fundamental

Vejamos os investidores mais importantes da história e do momento, que popularizaram a ideia da análise fundamental como uma das mais sensatas e rentáveis que existem.

Benjamin Graham

Benjamin Graham nasceu em Londres, de onde se mudou com a sua família para Nova Iorque pouco depois do seu nascimento, após viver alguns anos na pobreza e sofrer a morte do seu pai, ele formou-se em Columbia, sendo um dos alunos mais destacados da sua turma. Após a sua graduação, começou a trabalhar em Wall Street e mais tarde fundou a empresa Graham-Newman Partnership.

Benjamin Graham

Ao longo da sua carreira como investidor, desenvolveu a filosofia de investimento value investing junto com David Dodd, com base no investimento em empresas com um preço de cotação baixo em relação à sua avaliação por fundamentos. Entre alguns índices de avaliação desta filosofia estão a rentabilidade do dividendo, a relação preço em relação aos lucros, ou o preço em relação ao valor contabilístico.

👉 Mais informações: Benjamin Graham – Quem é?

Warren Buffett

Warren Buffett, nascido em Omaha em 1930, é um investidor e empresário americano conhecido como O Oráculo de Omaha. Presidente da empresa de investimentos Berkshire Hathaway, é um dos homens mais ricos e influentes do mundo, sem esquecer a sua importante contribuição filantrópica.

Desde uma idade precoce, mostrou grande interesse por economia e investimentos. Tais foram os sucessos alcançados por Warren Buffett no mundo dos investimentos, que é considerado o melhor investidor de todos os tempos.

👉 Mais informações: Warren Buffett – Quem é?

Peter Lynch

Peter Lynch é um dos grandes investidores da história. Assim como outros grandes referências do mundo do trading, tornou-se uma lenda entre os aficionados e profissionais doa investimento em mercado de capitais.

Lynch geriu entre 1977 e 1990 o hedge fund mais importante dos Estados Unidos: o Magellan da Fidelity Investments. A partir daí obteve uma carreira notável, na qual conseguiu lucros para a Fidelity, em torno de de entre o 29% e o 30% de média anual. Uma verdadeira loucura, que representa a eficiência deste homem para realizar investimentos.

👉 Mais informações: Peter Lynch – Quem é?

David Dodd

David LeFevre Dodd (23 de agosto de 1895 – 18 de setembro de 1988) foi um professor, analista financeiro, autor, economista e investidor americano. Durante os seus anos de estudante, Dodd foi protegido e colega de Benjamin Graham na Columbia Business School.

O Crash de Wall Street de 1929 (terça-feira negra) quase aniquilou Graham, que havia começado a ensinar no ano anterior na sua alma mater, Columbia. O crash inspirou Graham a procurar uma forma mais conservadora e segura de investir. Graham concordou em ensinar com a condição de que alguém tomasse notas. Dodd, então um jovem professor em Columbia, ofereceu-se como voluntário. Essas transcrições serviram como base para um livro de 1934 – Análise de Investimentos (Security Analysis), que galvanizou o conceito de investimento de valor. É o texto de investimento de maior duração já publicado.

Análise fundamental para iniciantes em 7 etapas

Passo 1: Onde obtemos as informações para fazer uma análise fundamental?

Para tornar este artigo um pouco mais fácil, utilizaremos o motor de pesquisa Yahoo Finance para ver os dados das empresas.

No mecanismo de pesquisa financeira do Yahoo, colocamos a empresa que procuramos e clicamos no motor de busca:

análise fundamental: yahoo finance

Na secção “Finance”, podemos encontrar as contas que nos interessam:

  • Demonstração de Resultados
  • Balanço Patrimonial
  • Demonstração de fluxos de caixa

Essas são as contas “AAPL”- Apple Inc.

Etapa 2: A empresa possui receitas positivas?

Uma conclusão fundamental, é que a empresa ganha dinheiro. Podemos ver isso de diferentes maneiras. Retirando o resultado líquido, lucro líquido por ação, fluxo de caixa livre, ganhos do proprietário, EBITDA, etc. Como não queremos complicar, utilizamos o resultado líquido e voilá. Encontrará esse resultado líquido na seção “Demonstração de resultados“:

demonstração de resultaods: análises fundamental

Aqui, mostra os resultados e os lucros da AAPL por ação, e não no total. No final do dia, é o mesmo, mas expresso de forma diferente. O que eu quero é que os dados sejam positivos. Mais adiante, veremos qual a magnitude que mais nos interessa e por quê.

demonstração de resultados: análise fundamental

Essa empresa, por exemplo, também possui lucros positivos maiores que zero. Estamos mais interessados ​​em gráficos como os da AAPL do que os desta empresa, mas pode ver que cada empresa terá os seus próprios números.

análise fundamental: demonstração de resultados

Esta empresa não nos interessaria porque os resultados são praticamente inexistentes ou negativos.

Etapa 3: Paga dividendos maiores que os resultados da empresa?

Algumas empresas pagam dividendos de maior valor aos resultados. Que isso seja feito em tempo útil não é tão preocupante quanto é feito como regra periodicamente. Uma empresa pode pagar em tempo útil um dividendo superior ao benefício daquele ano (do qual não gosto) e poder voltar ao normal. A  situação de pagar mais dividendos indefinidamente do que a empresa teve resultados. Isso pode ser visto na seção “Cash flow” do Yahoo Finance e na conta “Dividendos pagos”. Esses dividendos não devem ser maiores que o lucro líquido sobre o qual já falamos. Vamos ver alguns exemplos disso:

demonstração de resultados: dividendos

Esta empresa de topo tem resultados de cerca de 5,5$ por ação e paga 1,7$ por ação. É uma situação favorável para a empresa, pois possui resultados suficientes para pagar aos acionistas na forma de dividendos. Se os resultados fossem menores ou os dividendos fossem maiores, não teríamos uma linha amarela abaixo das linhas de lucro.

Esta empresa de topo decidiu em 2011 começar a distribuir dividendos. Até então, ela não distribuía dividendos. E quando começou a distribuí-los, foi um valor que poderia ser distribuído, porque é menor que o lucro da empresa.

análise fundamental

Esta empresa está a enfrentar problemas. Além de distribuir mais dividendos do que o lucro líquido da empresa, o lucro líquido foi negativo.

Etapa 4: A empresa é rentável?

O passo número 4 para fazer uma boa análise fundamental é verificar se a empresa é rentável. Pode ter resultados , mas como sabemos se existem resultados suficientes ou poucos? Olhando para dois jogos simples, podemos ver isso. O primeiro jogo a ver seria o total de ativos (ou Total Assets em inglês), e o encontramos em “Balanço”.

O segundo jogo é o lucro líquido que já vimos. Quando tivermos o item Total Assets e de Net Income, aplicaremos a fórmula de:

Lucro Líquido / Ativo Total -> Net Income/Total Assets

O resultado pode ser expresso em 1 ou percentagem. Se estiver em percentagem, procuramos empresas com mais de 5% dessa proporção. Se quisermos vê-lo em até 1, então 0,05. Essa proporção que configuramos é chamada de “ROA” e nada mais é do que a relação entre o lucro da empresa e os ativos. Vamos ver alguns exemplos:

ROA: análise fundamental

Nesta empresa, pode ver como o ROA é sempre superior a 5%.

análise fundamental: ROA

Essa empresa também possui uma rentabilidade superior a 5%.

Etapa 5: As receitas e os retornos estão a crescer?

A rentabilidade também é ideal, mas chega um momento em que é muito mais complicado para a empresa continuar a ganhar eficiência. Por esse motivo, tentaremos encontrar empresas com crescimento nos dois casos. Se não o encontrarmos nos dois casos, pelo menos estará na receita.

receitas

Algo parecido com a empresa no gráfico anterior não nos interessaria mais diretamente, porque onde precisamos de crescimento com lucro, a empresa não tem crescimento.

A empresa acima realmenta interessa-nos. É verdade que em 2013 houve um revés, mas a partir daí aumenta a rentabilidade e lucra muito. Uma das coisas mais importantes numa análise fundamental não é apenas verificar se a empresa está certa ou errada no nível das contas, mas também é tremendamente importante para o crescimento da empresa.

Etapa 6: A empresa tem muitas dívidas?

Numa boa análise fundamental, uma parte essencial é a dívida, uma vez que a dívida pode transformar uma empresa com futuro em ruína, se não for tratada com cautela. Especificamente, vamos analisar duas coisas.

Primeiro, veremos os anos que levaram para pagar a dívida que tenho com a receita.

Segundo, veremos a proporção de dívida e património que a empresa possui.

Antes de tudo, se eu tenho um negócio com o qual tenho uma renda de 10 milhões e devo 20 milhões, não parece que haja muitos problemas nessa parte. Agora, se eu tenho um negócio com o qual ganho 10 milhões, mas devo 2.000 milhões… O problema é muito maior. No primeiro caso, dedicar 100% do rendimento ao pagamento da dívida levaria 100% para pagar dois anos. No segundo caso, 200 anos.

Ou a empresa tem um crescimento muito forte ou a dívida será um grande problema. Um endividamento razoavelmente aceitável é um relacionamento de até 7 ou 8 anos. Isso dependerá dos setores, da empresa etc. Para não sobrecarregar muitos dados e simplificá-los, consideraremos esses dados de 7 ou 8 no máximo.

Como obtemos esses dados? Vejamos a conta de Saldo e demonstração de resultados. No saldo, examinaremos a conta de “Total do passivo” (ou total do passivo). Na conta Demonstração de resultados, veremos a conta “receita ou perda operacional” (em receitas ou perdas operacionais espanholas). Basta tentar dividir o total do passivo (total do passivo) entre a conta de receita operacional. O número que fornecer será o período que levará para pagar a dívida total com a receita da empresa. Então, no segundo ponto, obteremos os dados de “Long term term debt to equity”. Isso basicamente divide a dívida de longo prazo entre o património líquido da empresa.”

Não gosto que a proporção seja maior que 4 em geral. Já sabemos que empresas específicas em determinados setores podem ter maior alavancagem e nada aconteceria também. Mas, como regra, não gosto de mais de um 4. Desse modo, teríamos que conhecer a dívida em uma análise fundamental básica. Vamos ver exemplos:

dívida de uma empresa na análise fundamental

Esta empresa possui uma dívida de longo prazo em relação aos ativos sociais controlados, mas os dados dos anos em que a dívida será paga são muito altos. Pode simplesmente ser perdoada se for uma empresa com muito crescimento e, num futuro próximo, espera aumentar os seus lucros. Mas estaria claramente muito endividada.

dívida empresa analise fundamental

Esta empresa tem pouca dívida em relação aos ativos sociais e também levaria alguns anos para reiterar a sua dívida. Gosto de empresas deste estilo quando faço uma análise fundamental.

Etapa 7: A empresa é bem avaliada?

E finalmente chegamos à parte mais delicada de uma análise fundamental.Vou explicar um procedimento para avaliar uma empresa acima: O procedimento consiste em dividir o lucro por ação (EPS) pelo retorno médio do título de 10 anos. Com isso, estabeleço um valor intrínseco à ação aproximada, mas com uma consistência muito fraca, é simplesmente rejeitar alguns candidatos que são claramente caros. No vídeo a seguir, explico como estabeleço um valor intrínseco por meio do desconto dos fluxos de caixa de forma mais aproximada.

Se o resultado dessa divisão for menor que o preço atual das ações, inicialmente não seria uma avaliação atraente para nossa análise fundamental e a descartada. Para obter os dados de lucro por ação, voltamos ao Yahoo Finance e clicamos no separador “Estatísticas”:

avaliação empresa: yahoo finance

Pegando num exemplo o valor da PG (Procter & Gamble), que custa 96,63 dólares. Bem, agora divido o EPS da empresa (lucro por ação ou EPS) pelo retorno médio do título de 10 anos e recebo: 4,11 / 0,075 = $ 54,80 por ação.

Como o preço atual da empresa é superior ao preço da divisão, posso concluir que a empresa não é muito barata. Eu usei 0,075 no denominador da fórmula. Uso 0,05 quando a empresa é muito boa, seguindo os critérios que vimos nos pontos anteriores.

Quando ele encontra todos os pontos perfeitamente, eu uso 0,05.

Quando ele atende aos pontos vistos, mas não tem tanto crescimento ou está um pouco mais endividado do que gostaria, etc., uso 0,06.

Se falhar a qualquer momento, eu uso 0,075

Se a empresa é razoável= 0,05

A empresa é boa = 0,06

A empresa é normal = 0,075

Para a Procter and Gamble, possivelmente utilizada um 0,06 seria mais correto, mas ainda custaria $ 68,5. Longe do valor que tem agora no mercado. Também não supera o valor intrínseco que a fórmula lança. É simplesmente um guia. Então seria necessário analisá-lo com outros modelos mais complexos e mais eficientes, mas, por enquanto, para fazer uma primeira análise fundamental, está razoavelmente bem.

Simplesmente seguindo as 7 etapas descritas acima, pode fazer uma análise fundamental muito melhor do que a maioria dos investidores que desejam investir no mercado de ações e fazer uma pseudo-análise fundamental.

Vantagens e desvantagens da análise fundamental

A análise fundamental tem as seguintes vantagens:

  • Permite prever o desempenho de uma empresa e tirar partido do impacto sobre o preço das ações;.
  • Constrói uma carteira de investimentos para o futuro;.
  • Garante conhecer o fluxo de caixa, permitindo incentivar o fluxo de caixa para o futuro ou gerar estratégias para o aumentar;.
  • Permite controlar as perdas de dinheiro.

Do mesmo modo, a análise fundamental tem as seguintes desvantagens:

  • Pode ser subjectivao; como cada analista ou corretor pode produzir um relatório que é diferente dos outros,.
  • Não é um instrumento útil para investimentos a curto prazo;.
  • Não possui relatórios que lhe permitam analisar ou estabelecer preços específicos de entrada e saída do mercado;.
  • Demora a produzir devido às variáveis que precisam de ser incorporadas.

Este artigo destina-se a para investidores capazes de tomar as suas decisões de investimento sem aconselhamento. Isto não é aconselhamento financeiro. Se se sentir inseguro em relação a qualquer decisão de investimento deverá procurar aconselhamento junto de um analista financeiro credenciado.

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Valter Seabra
Convidado

Seria possível um webinar relativo ao tema, análise fundamental? Obrigado!